Inauguração da Fábrica da Baleia de Porto Pim – Caça à Baleia “caracteriza a história e a cultura do povo açoriano”, afirma Marta Guerreiro

0
132
TI

TI

No passado dia 20 de setembro, foram inauguradas, pela secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, as obras de renovação da Fábrica da Baleia de Porto Pim, a que se seguiu uma visita guiada aos presentes.
Na ocasião, Marta Guerreiros afirmou que o edifício vai “valorizar, ainda mais, um património que carateriza a história e a cultura do Povo Açoriano”, a caça à baleia.
No valor de um milhão de euros, esta obra de reabilitação incluiu a conservação do edifício e o tratamento de um esqueleto de cachalote.

A Fábrica da Baleia de Porto Pim voltou a abrir as portas, no passado dia 20 de setembro, após estar fechada durante cerca de dois anos para obras de requalificação do edifício e melhoramento das condições de visitação da estrutura industrial.
“É com grande satisfação que nos encontramos aqui na abertura das portas da renovada Fábrica da Baleia de Porto Pim, ansiada por muitos, por representar um imenso valor para esta ilha e, agora, depois de reabilitada, por valorizar, ainda mais, um património que caracteriza a história e a cultura do povo açoriano”, afirmou Marta Guerreiro na sessão de inauguração.
A governante salientou que ao visitar esta Fábrica da Baleia as pessoas poderão observar a maquinaria original que se encontra em bom estado de conservação e que constitui “um dos melhores exemplares da extinta indústria baleeira açoriana, essencial para a compreensão histórica, económica e social dessa atividade e uma preciosa mais-valia para todos aqueles que aqui procuram conhecer um pouco do que foi a baleação nos Açores”.
Adicionalmente, a titular da pasta adiantou ainda que foi adquirido “o espólio da empresa Reis & Marques que veio diversificar e valorizar os conteúdos expositivos oferecidos ao visitante”, neste espaço.
A secretária avançou ainda que, “a visita contempla também a sala Patrão Manuel, que passa a estar integrada no circuito, ostentando um esqueleto de cachalote e uma exposição dedicada à biologia deste mamífero dos mares”, explicando que “o processo de exumação e recuperação do esqueleto do cachalote foi desenvolvido por colaboradores do Serviço de Ambiente do Faial com o apoio do taxidermista holandês, Bass Perdikj”.
A titular da pasta do Turismo realçou a exposição temporária ‘Baleeiros Açorianos’, “como uma retrospetiva fotográfica que partiu de trabalhos para a National Geographic com obras de 1975 de O. Loius Mazzatenta e de 2012 de Gemina Garland-Lewis, que se centra nas pessoas e na história cultural da atividade baleeira açoriana ao longo de várias décadas”, esclareceu.
“Destaque, ainda para a reabilitação dos espaços de trabalho atribuídos ao Observatório do Mar dos Açores”, através da criação de “um espaço próprio, onde se prevê a realização de ações de educação ambiental e a promoção da ciência”, sublinhou a secretária regional.
Marta Guerreiro destacou também a transformação do armazém das farinhas num pequeno auditório, que estará ao serviço da atividades do governo e da população faialense, ao qual foi atribuído o nome de Luís da Rocha Monteiro, “numa singela homenagem a este naturalista, que foi um dos mais promissores investigadores da sua geração e que, apesar da sua juventude e de nos ter deixado prematuramente, assumiu um lugar de destaque entre os criadores de ciência em Portugal”, sustentou.
O projeto de reabilitação da Fábrica da Baleia do Porto Pim esteve a cargo dos arquitetos Carlos e Pedro Garcia, com empreitada adjudicada, em concurso público, à empresa Marques, num investimento de cerca de um milhão de euros.
Para a governante, esta obra de reabilitação “vem completar o investimento feito pelo Governo dos Açores em todo o complexo ambiental do Monte da Guia, que passou também pela reabilitação da Casa dos Dabney, que serve de sede ao Serviço de Ambiente do Faial e ostenta uma exposição sobre esta família, e pela instalação do Aquário do Porto Pim, na antiga Fábrica do Tufo”, duas estruturas que receberam quase sete mil visitantes no ano passado.
“Hoje, são mais de duas dezenas de espaços, geridos diretamente pela Região, através da Azorina e dos Parques Naturais de Ilha, os quais, em 2017, receberam quase 131 mil visitantes, com destaque para o Centro de Interpretação de Vulcão dos Capelinhos, aqui na ilha do Faial, que, no ano passado, foi visitado por mais de 40 mil pessoas e que já recebeu quase 270 mil visitantes desde a sua inauguração, há 10 anos”, avançou.
Segundo Marta Guerreiro, a rede de centros ambientais “é uma aposta ganha que tem potenciado novas dinâmicas locais e gerado oportunidades de negócio, em especial para os operadores de animação ambiental e turística”.
Um desses negócios é o “‘whale watching’ que teve lugar depois do fim da caça à baleia e que representa um contributo diferenciador para o turismo regional e que, de ano para ano, vê crescer o número de visitantes que não regressam a casa sem antes viver a experiência de ver, fotografar e se emocionarem com estes seres do mar, aqui nos Açores”.
“Esta transição constitui, sem dúvida, um dos melhores exemplos e, simultaneamente, uma das mais belas histórias de evolução de uma atividade assente na exploração dos recursos naturais, para um modelo de desenvolvimento verdadeiramente sustentável e baseado na preservação desses recursos”, sublinhou a secretária regional.