Foram longos e intensos os anos que vivi, principalmente nos Açores, como “a filha da Zuraida Soares”. Sendo isso para mim motivo de eterno orgulho, a verdade é que a fatura que paguei, tanto pessoalmente, como profissionalmente, mas sobretudo emocionalmente, foi, não raras vezes, de uma enorme crueldade e de algum sofrimento. Era raro o debate televisivo que não resvalava para a ofensa pessoal, era rara a sessão plenária em que a critica não roçava ao insulto. Nada disso a demoveu, acho até que me incomodou sempre mais a mim, por ver a minha mãe ser destratada, do que propriamente a ela, que a cada nova injuria ganhava mais força para lutar por aquilo que acreditava.
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