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Jaime Baptista Jornalista sem papas na pena

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Jaime Baptista Peixoto, mas assinando inesquecíveis escritos apenas por JB, iniciais de Jaime Baptista, como era mais conhecido e lido no Faial, particularmente na Horta.

Terá mesmo nascido com o dom jornalístico, herdado, segundo ouvimos a mais velhos, do tio Nico (António Baptista) que, na douta opinião de Marcelino Lima expressa nos Anais do Município, “Foi o jornalista de estilo mais lampejante que houve no Faial” e que “sabia manejar a pena como hábil esgrimista”.

Ora, pelo que lemos de Jaime Baptista, e não foi pouco, achamos que as referidas passagens condizem, na verdade, com os escritos de JB, sem papas na pena, virados sobretudo para a Justiça e para o bem da Terra.

Já convivíamos no Fayal Sport quando começou a ensaiar pontapés jornalísticos em “O Telegrafo” qual ante-câmara para Director do Jornal do Clube da Alagoa.

Aliás, um mensário popular até entre adeptos adversários, com certeza por orientado sem clubismos.

Como desportista verde desde tenra idade, naturalmente que dei minha colaboração, em especial com a série “Recordando – a Bola, os Outros e Eu”, virada para todos com quem tive oportunidade de praticar desporto, fazendo boas amizades, fossem alvi-negros, encarnados e verdes, e não esquecendo Editorial solicitado pelo Director, em edição aniversariante.

Entretanto, o Jaime Baptista licencia-se na Escola do Magistério Primário, a universidade das ilhas do então distrito da Horta e também da de São Jorge, agora uma desse Triângulo, nome este que deu título a uma publicação de 3 das 4 páginas, 1ª. incluída, da edição de sábado do ‘‘Correio da Horta, qual cidade dentro de outra cidade, (sem qualquer semelhança do Vaticano e Roma) e que tinha como missão primeira lutar pela sua institucionalização na política açoriana: um polo de desenvolvimento a par da Terceira e de São Miguel.

Recorde-se que “O Triângulo” era coordenado por José P. Almeida, Jaime Baptista e Mário Frayão, com carta branca sem que a Direcção perdesse sua responsabilidade, o que nunca esteve em causa.

Uma publicação sui generis que surgiu na urbe faialense a 8 de Maio de 1971, surgindo também como uma lufada fresca, levantando ondas há muito não vistas num meio que se habituara ao “amen”, mas por quase todos recebida com agrado pelo que passou a ser de leitura obrigatória de fim de semana.

Apenas uma observação fiz ao Jaime, no sentido de dar um jeito a certo escrito por a censura ser algo exigente quando se tratava de mortes; porém, acabei até por me arrepender já que sendo assunto sério, ficou quase sem “graça”…

Registo o facto para salientar que o jornalista em apreço era pessoa educada e compreensível, não sendo daqueles que se julgam donos da verdade.

E se foi ainda na vigência de “O Triângulo” não me recordo, mas sei que, como Director Adjunto, e na ausência do Doutor Raposo, fui a Tribunal por assunto relacionado com artigo do Jaime Baptista que, por acaso, havia passado os olhos na redacção, julgando até tratar-se de algo acontecido em Alguidares de Cima.

Por sinal, guardo cópia do meu depoimento, achando de interesse transcreve-lo a seguir:

“Sobre o artigo “Obrigatoriedade escolar? Um ‘‘mito” que se desfaz…”, assinado por JB, devo dizer que o achei escrito adentro daquela objectividade como sempre entendi o bom jornalismo, não vi, pois, nada que se referisse com menos consideração a qualquer magistrado, incluindo, naturalmente, o da comarca da Horta.

Trocando depois impressões sobre o caso, com o autor, sr. Jaime Baptista Peixoto, este confirmou que não teve nenhuma intenção de criticar qualquer sentença do meritíssimo Juiz desta comarca, mas somente alertar os responsáveis para uma incoerência da lei, tema que tratou, talvez, com mais clareza em segundo artigo, intitulado “Oito anos de obrigatoriedade escolar? Como quê ?”

Quanto à frase “lei – clara ou escura” com certeza que o autor terá querido referir-se ao facto de o legislador ser por vezes um tanto confuso; pelo menos foi a interpretação que lhe dei.

Desejo acrescentar que, além de ser um colaborador assíduo, tenho pelo sr. Jaime Peixoto a maior consideração”. 

Resta-me dizer que o processo foi arquivado e que o artigo referia-se a uma lei que não permitia duas penas pela mesma infracção: uma criança que continuava a faltar à Escola depois de o pai já ter sido multado!

Só que o Professor não engoliu e como tinha a pena sem papas “emprestada” pelo Jaime…

Lembro ainda que findo “O Triângulo”, apenas por vontade dos ilustrados coordenadores, o Jaime Baptista passou a dar a sua preciosa colaboração ao “Correio da Horta”, mesmo após o 25 de Abril quando a Direcção informou em Editorial que de futuro “não publicaremos artigos que não tragam os nomes dos autores”.

Embora reagindo no seu “estilo” em escrito assinado por JB e Jaime Baptista, não deixou por isso de escrever, mas sem as iniciais assaz populares, até na edição de 29 de Junho de 1974, em que os Directores anunciam a decisão há semanas tomadas em passarem os destinos do Jornal a gente nova e idónea, voltando ao JB, já como membro do corpo redactorial.

Continuando a escrever, agora sem responsabilidades, ainda durante algum tempo passei a encontrá-lo com mais frequência, mas sempre lendo seus escritos, mesmo depois de ir para a Terceira, e nos últimos anos em “Tribuna das Ilhas”, talvez quando deparava com alguma injustiça humana ou relacionada com a sua Ilha, aliás o tema do último lido neste Semanário, e sempre assinando por JB, iniciais que o imortalizaram no jornalismo, particularmente no faialense.

 

 

à margem

A nossa amizade jamais foi afectada pela distância e pelo tempo, já que quando ia ao Faial raramente não nos encontrávamos, e pelo telefone também falávamos especialmente em datas lembradas. Da última vez que lhe telefonei, e não foi há muito tempo, a sua saúde já não era boa, mesmo assim, a hora da partida para Deus chegou mais cedo…

… deixando como grata recordação a maneira simpática e amiga como sempre me tratava: senhor Armando.

 

 

 

 

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