Justifica-se…!

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O primeiro dia do mês de Maio é dedicado ao Trabalhador e, quase desde a data que lhe dá origem, em 1886, até ainda recentemente, tem sido assinalado pela reivindicação de melhores condições de trabalho; hoje, porém, e desde há alguns anos, tende a ser marcado sobretudo pela reivindicação de mais emprego.

E tal justifica-se de imediato pelos números que traduzem o desemprego em Portugal, mas também na Europa, em particular na zona euro, com valores que persistem globalmente em aumentar. Em Portugal a taxa de desemprego situou-se nos 17,5% em março, elevando-se a 38,3% no que se refere aos jovens (com menos de 25 anos). Na zona euro, a taxa de desemprego foi de 12,1% em março, enquanto a média europeia é de 10,9%; no que se refere ao desemprego jovem, a taxa na zona euro é de 24% e de 23,5% no conjunto dos 27 Estados-membros. Entretanto, em Portugal, há 13.187 casais em que ambos os membros estão desempregados.

Sim, justifica-se que o Dia do Trabalhador seja actualmente assinalado pela reclamação de mais emprego, ao mesmo tempo que se multiplicam os discursos que finalmente reconhecem o trabalho como dignificante da pessoa. Um emprego, que não é apenas o exercício de uma função exterior à pessoa mas também uma actividade que envolve as suas capacidades e competências promovendo o seu desenvolvimento, é igualmente uma oportunidade de realização pessoal, para além de indispensável fonte de subsistência.

Por isso, a pessoa de meia-idade que perde o emprego e que dificilmente volta a trabalhar, vai frequentemente perdendo também a sua auto-estima, deprimindo, tornando-se infeliz e entristecendo muitos que a rodeiam, ficando cada vez mais só; e os muitos jovens que não encontram emprego são frustrados nas suas expectativas de vida autónoma profissional e pessoal, permanecendo dependentes dos pais para todas as suas necessidades e sem possibilidade de constituírem família, definhando em todo o seu potencial de dinamismo e de inovação social. O futuro da sociedade é comprometido e o presente das pessoas sacrificado.

Sem negligenciar as condições dignas de trabalho, justifica-se que a prioridade seja hoje a de promover o emprego e a dignificação da pessoa através do trabalho; sem secundarizar as condições básicas para um trabalho digno, não justifica-se que não haja lugar a exigências suplementares e a situações de excepção porque o primeiro direito do trabalhador é ter trabalho e este não está cumprido.

Nestas circunstâncias tão graves da nossa comunidade, justifica-se uma responsabilidade acrescida para quem tem emprego: trabalhar e trabalhar bem para ser merecedor do emprego que tem e para promover a economia assim contribuindo, no que está ao seu alcance, para a criação de emprego para os milhares de concidadãos que desesperam sem trabalho. Esta é também uma atitude de respeito e de solidariedade para com os desempregados.

Quem quer trabalhar e não tem trabalho não pode compreender que quem o tenha não trabalhe.

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