Mota Amaral versus PSD/A

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Em qualquer cenário político uma oposição forte pressupõe uma governação mais cuidada. Quando a oposição é mais sólida que a governação, mais tarde ou mais cedo, dá-se a alternância. Cabia portanto, ao PSD/A intervir mais e melhor no interesse dos açorianos mas em vez disso parece que anda distraído com quezílias internas, ajudando a nivelar por baixo o aprofundamento democrático da au-tonomia. A novela com Mota Amaral tem protagonizado um destes mo-mentos.

Duarte Freitas foi corajoso mas pouco astuto. Em nome da renovação excluiu, pela primeira vez, o ex-presidente do Governo Regional da lista de deputados à AR em detrimento de Berta Cabral que já passou por quase tudo que é lugar político. Que estranha renovação esta. Poderia ter sido o próprio o cabeça de lista, mesmo sabendo que não cumpriria o mandato, mas pelo menos seria mais natural o afastamento de Mota Amaral e teria oportunidade de testar a sua força enquanto potencial candidato ao Governo Regional. 

Mota Amaral, apesar de tudo, não tem estado bem. Em política os lugares não devem ser vitalícios. Melhor do que saber entrar é preciso saber sair com dignidade. O espetáculo público criado em torno deste assunto só prejudica o PSD/A que Mota Amaral tanto ajudou a construir. 

Primeiro afirma que pessoalmente “simpatiza com António Costa” dando um monumental tiro nos pés do PSD. 

Depois utiliza um péssimo argumento ao sugerir que a escolha de novos candidatos “limita a capacidade de intervenção parlamentar” dos deputados eleitos. Quer dizer que um mandato só é legítimo enquanto existir a perspetiva de reeleição?

Por fim, vem contestar a aprovação da lista em Comissão Política Regional dizendo que o processo violou os estatutos do partido. Ainda que tal tenha ocorrido, não se pode ignorar a clara aprovação dos nomes propostos na CPR (30 votos a favor, 1 abstenção e 1 contra) para a lista onde o seu nome não foi incluído.

O resultado do PSD nos Açores nas eleições legislativas será capital para esta liderança. Dificilmente Duarte Freitas sairá vencedor. Importa saber qual será o impacto eleitoral da saída de Mota Amaral. Se perder muitos votos pode existir espaço para um possível golpe no PSD/A e quem sabe se não vem diretamente da câmara de Ponta Delgada.

As pretensões de Mota Amaral, por muito legítimas que sejam, estão a ser desastrosas para o PSD/A. Um deles vai sair pela porta pequena, disso não há dúvida. 

Assim se vai complicando a vida de Duarte Freitas para as eleições regionais. Até pode ter muitas virtudes mas é um mau candidato natural para o Governo Regional. Quer queiramos ou não muito dificilmente alguém que não é proveniente de São Miguel governará a região.

                       

                                                                                                                           

 

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