Resgatar as nossas origens

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DR/HR

Tive o prazer de conversar com a Exmª. Sra. Carmina Moniz, uma jovem de 74 anos que reconheceu ser fan do nosso projeto “Resgatar as Nossas Origens”. O lema soa-lhe bem, traz–lhe à memória recordações. E essa memória é herança de todos nós.
A Sra. Carmina contou-nos que, “no passado, as pessoas, também encaravam sérias necessidades, mas eram mais saudáveis e felizes, hoje em dia já não é assim. Sofreu três bancarrotas e resgataram-lhe três vezes o seu salário, mas, nessa altura, a ilha conseguia sobreviver.
Na sua opinião, hoje em dia isso já é mais complicado “porque importamos de tudo e estamos demasiado dependentes do exterior.”
No seu tempo nunca houve necessidade de nada mas recorda-se, no entanto, que a única coisa que faltou nos anos 80 foi a carne, pois a que era produzida aqui na terra era quase na sua totalidade canalizada para exportação.
“Esta ilha tem que mudar por nós, pelos nossos filhos e estou imensamente feliz de ver jovens como vocês a iniciarem uma mudança.”
“Ainda me recordo dos tempos anteriores à fundação da AFAMA. Existiam imensos animais espalhados pela avenida marginal, animais abandonados. Foi aos poucos que a AFAMA foi crescendo e mudou esta realidade. E vocês tem que fazer o mesmo. Trabalhar com calma mas com convicção.”
“A proposta que lhe dou é que criem um banco das sementes antigas. As sementes das nossas batatas, das nossas favas, o nosso feijão, sementes que foram guardadas de geração em geração e ganharam resistências ao nosso clima”- acrescenta.
“Quando entrámos nesta União Europeia, na qual já não acredito, começámos a importar sementes e o resultado está à vista. São sementes alteradas geneticamente e obrigam-nos a usar químicos para combater espécies que as atacam.”
Durante estes últimos quatro meses foram longas as nossas conversas e, para nós, – Dona Carmina é o exemplo de como devemos trabalhar. A importância da transmissão geracional e do resgate e salvaguarda das nossas origens, moldam a base de apoio do nosso objectivo.
A Dona Carmina representa uma parte da nossa história e tem na sua memória uma parcela residual da nossa identidade.
Muito obrigado amiga Carmina Moniz pela sua disponibilidade, por nos receber em sua casa, por, mais uma vez, carregar as nossas baterias e nos encorajar a olhar para o passado para que neste presente possamos consolidar um futuro melhor para aqueles que nos seguem.
Vamos todos juntos resgatar as nossas origens.

Aplausos e assobios.

 

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