Natal 2012 | PRENDA RECORDATIVA

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E até veio pelo Correio e assaz inesperada.

É que não a tinha pedido ao Menino Jesus.

Aliás, foi meio nunca usado na minha infância nos Cedros, quiçá na ilha, mesmo na cidade.

Por sinal, na época 30 do século passado a gente ainda se contentava com o que o Deus Menino deitava no sapatinho.

Todavia, Natal houve que uma linda prenda me tocou: um Presépio em que nada faltava.

Naturalmente como consolo de dias na cama, sem poder entrar no sempre aguardado ranchinho com o João de Baixo e outros amigos que, do Ano Bom aos Reis, percorria a freguesia, da Canada do Sousa ao Cascalho, subindo até à Rua de Cima e descendo às Areias.

Mas agora a prenda é outra, porém, não menos apreciada, pois trata-se de foto recordativa, recebida do José Jorge Garcia dos Flamengos, um amigo de há muitos anos, feito nas oficinas tipográficas do ido “Correio da Horta”.

Fazendo-me recuar muitos anos no tempo, foca os sócios e empregados que participaram no lanche aquando da comemoração, a 4 de Dezembro de 1955, das Bodas de Prata do Jornal a que dediquei boa parte da minha vida.

São eles, a contar da esquerda: Atrás – Branco Cordeiro (Administrador), Manuel Pereira, Casimiro, Fernando Neto, José Escobar, Fernando Santos, Manuel Câmara, José Carlos, Alves Armas (Redactor) e Dr. Constantino Amaral (Sócio).

A meio – Ilídia Cristiano, D. Maria Cordeiro, Dr. Raposo de Oliveira (Director), D. Maria Amélia, D. Maria João e marido Armando Amaral (Director Adjunto ).

Em baixo – José Jorge (à frente do Director) e Medeiros (à s/ esq.). Os restantes: jovens aprendizes e distribuidores do Jornal.

Recorde-se que no dito convívio, que decorreu em franco ambiente na sala grande da redacção, estiveram também presentes os 28 colaboradores da edição especial, de outras tantas páginas, do Jornal que nessa tarde saia para as ruas citadinas.

Longe de qualquer discriminação de amigos por quem guardo boas recordações, dois casos houve jamais esquecidos, ou até dignos de serem lembrados.

Aquando das comemorações Henriquinas a que o Jornal fez circunstanciada cobertura, a começar no desembarque do Almirante Quintanilha Dias no molhe da Doca, onde o Director, acompanhado do Redactor Carlos Ramos, empunhando o microfone da respectiva aparelhagem, entrevistou o representante do Governo português que lhe entregou um memorando com as decisões favoráveis às medidas solicitadas pelo Governador Freitas Pimentel.

E terminada a visita, o ilustre governante, num gesto próprio dos grandes Homens, foi pessoalmente à redacção do “Correio da Horta”, mas encontrando fechada a porta do edifício, dirigiu-se à residência, quiçá pelo motorista indicada, do empregado Manuel Câmara a quem entregou o cartão de despedida.

O outro, refere-se ao comendador Fernando Neto, então aprendiz e distribuidor do Jornal, aliás um mister de que fazem gala os políticos americanos.

Por sinal, os Estados Unidos foram o destino da família, no tempo da histórica emigração faialense após o vulcão dos Capelinhos.

E em New Bedford e Fall River cedo se salientou na Colónia açoriana, do Faial particularmente, onde pôs a render seus dons, na vida comercial, cultural e política, tendo sido Conselheiro e Presidente do Conselho da Cidade da Baleia.

Com João Miguel da Silva, foi um dos principais obreiros do Geminação New Bedford/Horta, e esteve também na criação da Fundação Beneficente Faialense, de que tive a honrosa missão de ter sido primeiro delegado no Faial, ficando ligado ao início dos frutuosos auxílios à Juventude da minha Ilha,

 

Concluindo: a Prenda recordativa do José Jorge, que no tempo da guerra no Ultramar português esteve em Angola onde exerceu o seu múnus de tipógrafo, voltando depois ao “Correio da Horta”, já integrado nas novas artes tipográficas, foi agradável testemunho da amizade que sempre dedicámos a quantos que connosco conviveram em prol duma sã causa que era, e é, a cultura do povo através da boa Imprensa.



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