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NATAL – Cheiram mesmo a Céu!…

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Remando contra a maré é dito muito popular trazido pelos povoadores das Terras de Santa Maria às do Senhor Espírito Santo.

Há muito tempo que não me cansam em bater na mesma tecla, qual Dom Quixote contra moinhos de vento, com a diferença: estou no meu juízo e sem nada arranjar frente ao poder do dinheiro a que mentalidades humanas não resistem.

Alias, o caso da “coca-cola” nos anos 30 do século XX cujo dono, quiçá não satisfeito com a recusa Papal em não trocar o “Ite Missa est” pela dita marca, oferecendo mesmo avultada quantia, terá inventado o “pai Natal” para substituir o São Nicolau, roubando-lhe as barbas brancas e mudando para vermelhas mais (vendáveis) as roupas castanhas com que vinha a percorrer a América de Costa a Costa em caridosa missão cristã, iniciada na fria Escandinávia.

Porém, enquanto a “coca-cola” passou a ser bebida assaz preferida no mundo inteiro, em Portugal só entrou depois da morte de Salazar que a proibiu quer por prejudicial à saúde quer em defesa dos refrigerantes nacionais, incluindo também os produzidos nos Açores, entre estes os da fábrica “Primavera” de Raimundo Lemos.

Com certeza, por essa e outras medidas de cunho patriótico, é que o Escudo foi moeda forte a par do dólar, por sinal as únicas aceites em 1968, como nos disse vendedor ambulante em Milão.

Ao fim e ao cabo, a bebida americana aí está com negativo contributo na débil economia portuguesa, enquanto as tradicionais Cartas ao Menino Jesus, que foram o encanto das crianças, são agora enviadas ao “pai Natal”, figura que não é da terra nem dos céus, mas que depressa entrou em mentes adultas ávidas do que de fora vem, sem se pensar duas vezes no embuste em que se cai ao mesmo tempo que ajudam os filhinhos tanto nos pedidos das ofertas, como no enfeite das Árvores ou no armar de Presépios, numa incoerência sem pés nem cabeça.

Consola-me, porém, ver sobrinha e afilhada, doutora sem complexos, a acompanhar a filhinha Ana Rosa na escrita da sua cartinha ao São Nicolau para lhe trazer as prendas solicitadas ao Menino Jesus.

Como também me consolou, há muitos anos, ouvir a entusiástica exclamação de outra sobrinha, rodeada dos brinquedos acabados de receber nessa noite de Natal: Oh tio Armando, cheiram mesmo a céu!…

 

* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico

 

Armando Amaral

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