Negociações UE/Mercosul – Patrão Neves preocupada com consequências para agricultura açoriana

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A eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves esteve na passada semana no Faial, onde reuniu com a Associação de Agricultores da ilha, em pleno Encontro do Mundo Rural.

Na ocasião a parlamentar mostrou-se satisfeita com as boas notícias que ouviu do sector, nomeadamente a evolução da apicultura e da agricultura biológica na ilha. Para Patrão Neves, os agricultores faialenses estão a fazer a aposta certa ao compensar o declínio do sector do leite com a diversificação agrícola.

No entanto, nem tudo são boas notícias para a agricultura açoriana: Patrão Neves não duvida de que esta, principalmente o sector da carne, será prejudicada pelo acordo para o livre comércio entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul (englobado pelos países Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Venezuela), que está a ser negociado. A eurodeputada teve acesso a um estudo sobre o impacto deste acordo na agricultura, estudo esse que será apresentado no Parlamento Europeu na quinta-feira, dia 23, e não ficou satisfeita com o que viu: “o estudo conclui que o impacto na agricultura será negativo e afectará principalmente sectores sensíveis, como a carne, e regiões vulneráveis como os Açores”, diz. Tendo isso em conta, Patrão Neves deixa uma garantia: “quando o estudo for apresentado, vou estar lá para perguntar se a Comissão tem consciência dos impactos negativos que o acordo trará para o sector agrícola e para uma Região como a nossa, e quais as medidas compensatórias previstas para minimizar este impacto negativo”.

Reforma da PCP deve apontar para “gestão regionalizada” da pesca

Na sua última passagem pelo Faial Patrão Neves reuniu também com a APASA e a APEDA, para auscultar os pescadores sobre as questões da pesca. Em Julho a Comissão Europeia lança as propostas legislativas para a reforma da Política Comum de Pescas (PCP), e a eurodeputada quer estar bem informada sobre a realidade do sector nos Açores.

Para Patrão Neves, as questões que se colocam ao sector passam pelo “redimensionamento da frota pesqueira em função dos recursos”, e pela “necessidade de estudos que sustentem a pretensão de totais admissíveis de captura (TAC)relativamente à gata-lixa”, uma espécie que com valor comercial que, para a eurodeputada, está a ser desperdiçado. Patrão Neves está também preocupada com as condições da rede de frio, e com o “baixo preço a que está a ser pago o atum”. A eurodeputada considera que o baixo preço de algum pescado é causado pelas dificuldades no seu escoamento, e leva os pescadores a pescarem mais para conseguir tirar rentabilidade da sua actividade, o que é uma ameaça para os stocks. “Estas situações têm de encontrar uma resposta na reforma da PCP. Esta terá de criar condições para uma boa gestão da pesca e, sobretudo, uma gestão regionalizada, aproximando a decisão dos protagonistas da pesca”, refere.

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