NO FINAL DE UM ANO MUITO COMPLICADO!

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Deixo-vos aqui hoje uma reflexão que, sendo breve, não deixa de ser intensamente preocupada. Está a acabar este ano de 2016 e fico muito com a sensação que no futuro haverá a possibilidade deste ano poder vir a ser citado como sendo um ano marcante.
De facto em 2016 foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América uma personalidade estranha, um multimilionário filho do sistema capitalista e imperialista, que se apresenta como sendo “contra o sistema”, mas o que o move, na verdade, é por um lado, a vontade de voltar a centrar o poder direto no capital, sem a interferência “global” do capital financeiro e, por outro lado, fazer recuar, ou mesmo anular, todos os avanços civilizacionais do século XX no que toca à dignidade humana, á igualdade de todas as raças, aos direitos sociais e a todo um conjunto de questões absolutamente centrais.
Ter uma personalidade destas, defensor do sistema capitalista sem direitos sociais e com conceções racistas e xenófobas, como Presidente dos EUA será, no mínimo, razão fortíssima de preocupação para milhões de seres humanos e terá que ser, também, razão de mobilização de vontades de todos os que defendem a democracia, a justiça social e a dignidade da pessoa humana.
Neste ano de 2016, nesta Europa de que somos parte, acentuou-se, de modo muito claro, o sentimento de que a União Europeia se transformou em instrumento de domínio dos países economicamente mais fortes sobre os restantes, se assume cada vez mais como uma trituradora das Soberanias Nacionais e é dirigida por gente medíocre, totalmente ligada ao grande capital financeiro internacional.
A União Europeu, enfraquecida, mas dominadora, criou mecanismos que torna, na prática, impossível aos países membros com economia mais débil, promover um crescimento económico associado à promoção da justiça social. O ultra neoliberalismo que orienta a União Europeia, que serve de instrumento às intenções dominadoras da Alemanha e que promove uma globalização assente na destruição de direitos essenciais da humanidade, transformou-se numa organização que tem que ser transformada com muita urgência.
É hoje totalmente claro para muitos que a União Monetária, ou seja, a moeda única que evolve 17 dos 27 países da União Europeia, é verdadeiramente o instrumento de domínio das economias mais fortes sobre as demais, constitui, por excelência, o “instrumento principal do domínio alemão” e visou e visa acelerar aquilo a que chamam de “reajustamento” e que mais não é do que o processo de instalação de um domínio irreversível dos “europeus grandes”, sobre os “europeus pequenos”.
Defender e lutar por uma União Europeia que seja um espaço de cooperação estreita entre Países Soberanos, iguais em direitos e deveres, que vivem no mesmo Continente, é o único caminho que vislumbro para o futuro imediato.
O ano de 2016 fica muito marcado por ser um ano em que o terrorismo fanático de inspiração religiosa esteve muito ativo e em expansão e em que as guerras associadas a esses fenómenos, como é o caso da guerra na Síria e no Iraque, se intensificaram de modo muito forte.
É bom não esquecer que a acção do Ocidente a partir dos anos 90, com os EUA e a NATO no comando, que visou destruir e modificar o panorama politico no Médio Oriente, destruindo Países e assassinando lideres, instalou tudo quanto era necessário para que o fundamentalismo islâmico pudesse crescer como fenómeno de massas e transformar-se num instrumento de guerra temível e muito perigoso.
Lutar pela Paz, respeitando a soberania desses Países, será a maneira de isolar o fundamentalismo e repor os equilíbrios que foram friamente destruídos.
Acabamos este ano de 2016 com a sensação esquisita de que vivemos uma época á beira de enormes retrocessos históricos, mas o simples facto de podermos identificar esse perigo, cria uma situação clara de ser possível lutar, trabalhar, mobilizar e conseguir reverter essa tendência e retomar um caminho evolutivo assente na defesa, essa sim global, da dignidade humana.

Horta, 12 de dezembro de 2016

 

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