Notas Estivais

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MERIDIANO 28
É o título da última obra do escritor Joel Neto, um terceirense que se notabilizou nas letras nacionais, mais recentemente, pelo romance Arquipélago (2015) e pelo diário A vida no campo (2016), ambos de temáticas profundamente ligadas aos Açores.
O enredo de Meridiano 28 tem as suas raízes no Faial do tempo das companhias dos cabos submarinos, na evocação desse tempo em que a Horta fazia parte do centro do mundo e em que experienciava uma vivência cosmopolita, fruto do progresso trazido pela presença dos telegrafistas estrangeiros ingleses, americanos e alemães que, depois de décadas de convivência e relacionamento, foram surpreendidos pela Segunda Guerra Mundial e pelo conflito que os colocou em lados opostos da barricada.
Victor Rui Dores, nas páginas deste semanário, já fez a competente recensão deste novo romance de Joel Neto.
Agora, depois de o ter lido, não posso deixar de aqui formular um voto sincero: que o livro seja lido pelos Faialenses, de nascimento ou de residência. Por todos, mas especialmente pelos jovens. É que, embora sendo um romance e centrando-se no eterno tema da personagem que se procura conhecer a si própria através do conhecimento do seu passado, o livro deixa-nos uma visão muito aproximada do que poderá ter sido a vida na Horta dos Cabos Submarinos.
E quando hoje vivemos tempos difíceis, de menorização da importância do Faial no contexto regional e nacional, é sempre redentor para a alma e para o ego coletivo recordarmos os tempos em que fazíamos parte da linha da frente do desenvolvimento e do progresso nos Açores. Não para contemplarmos saudosa e passivamente esses tempos, mas para interiorizarmos dinamicamente que podemos mudar o nosso destino futuro. Basta querermos.
Meridiano 28 mostra-nos um tempo em que isso foi possível.
Queiramos nós tornar isso uma realidade novamente!
Se ainda não leu, leia. Vale a pena!

 

A DESILUSÃO SOCIALISTA
Tive oportunidade, por estes dias, de contatar com cidadãos de alguns países da ex-Cortina de Ferro, que viveram, na sequência da Segunda Guerra Mundial, dominados pela marxismo-leninismo, na sua prática estalinista.
Depois da queda do Muro de Berlim, esses países, de forma rápida, quebraram os laços de dependência com a União Soviética e começaram um processo de ocidentalização de acordo com a vontade do seu povo, expressa democraticamente nas urnas.
Aquilo que dessas pessoas ouvi sobre o seu passado soviético e socialista em nada abona a visão idílica que alguns, entre nós, cultivam sobre as virtudes do socialismo, na sua concretização marxista-leninista.
Muito educativo seria falarem com os húngaros, com os eslovacos, com os checos, com os alemães de leste e ouvirem-nos sobre a sua experiência do socialismo soviético…

PERCEBER DO NEGÓCIO, EU NÃO PERCEBO
Na sua tomada de posse, o novo Presidente do Conselho de Administração da SATA disse que “Perceber do negócio, eu não percebo. Mas vou perceber!”
Não consigo avaliar nestas palavras a fronteira entre a sinceridade e a inconsciência.
O que concluo é que nos Açores, no critério do Governo, para se ser escolhido para um cargo…não se precisa de perceber nada sobre o que se vai fazer!
O resultado está à vista! E não é só na SATA…

NÃO VOS EMBRIAGUEIS…
Na Liturgia do passado domingo, S. Paulo dirigia aos Efésios palavras sábias, ainda hoje atuais, sobre a virtude da moderação: “Não vivais como insensatos…”, “…não sejais irrefletidos…”, “Não vos embriagueis…”.
Como estamos longe destes conselhos e destes valores na sociedade que, entretanto, criámos!
O excesso, o consumismo, a vertigem das sensações fortes, o predomínio do efémero e do passageiro impuseram-se de forma inusitada na sociedade contemporânea e é particularmente visível no Verão, onde proliferam, sob qualquer pretexto, festas e festejos!
Em 2001, D. António Sousa Braga, na altura Bispo de Angra e dos Açores, denunciava, de forma oportuna e desassombrada, as festas como alienação do povo, como anestesia para que os problemas não se debatam e como garantia da passividade do cidadão, afirmando que “estamos agora entretidos com as festas de verão” e reconhecendo que também por isso falta “participação no debate de questões cruciais para o nosso futuro”.
Assim continuamos em 2018… 

 

20.08.2018

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