O caso do despedimento colectivo na COFACO/Pico

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A questão do futuro da unidade fabril da COFACO na Areia Larga – Pico, de extrema importância para o conjunto da economia regional e para a realidade económica e social da ilha do Pico, tem sido uma questão muito arrastada ao longo do tempo e muito pouco explicada pelos interesses económicos e financeiros que hoje são maioritários na referida empresa.

O mínimo que se pode dizer é que não tem havido qualquer transparência, que permita saber qual é o objectivo real e principal de quem hoje manda na COFACO. Entretanto é legítimo concluir que há dois objectivos imediatos e, espantosamente, simultâneos: o 1º é o de se livrar, através do despedimento colectivo, dos trabalhadores, a maior parte com muitos anos de casa; o segundo é o de ver aprovado um projecto de construção de uma nova fábrica e, com essa aprovação, ter acesso a fundos comunitários e a apoios regionais para financiamento desse projecto, dito de actualização industrial.
Do ponto de vista moral e penso mesmo que do ponto de vista legal, não é aceitável que um projecto de modernização industrial tenha como pano de fundo o despedimento colectivo dos trabalhadores de uma unidade fabril que sempre foi e até agora era rentável e que também sempre foi a unidade fabril de vanguarda da COFACO nos Açores.
Tenho lido, nas redes sociais, alguns neófitos apoiantes ferozes da exploração dos trabalhadores e incondicionais apoiantes dos interesses de quem explora e de quem manda nesse sentido, encherem a boca com duas ideias: uma é a de que a COFACO está falida há muito tempo; a outra é a de que não há atum e assim não há lugar à existência de indústria conserveira significativa. Esses apoiantes, na sua ânsia de negarem os direitos legítimos dos trabalhadores, esquecem que ao fazerem a afirmação de que “a COFACO está falida”, estão a apontar para a possibilidade de os atuais mandantes dessa empresa terem algum objectivo pouco claro quando pretendem candidatar-se, para modernização industrial, a fundos e a apoios. Quanto à falta de atum há que dizer que, de facto tem aparecido menos quantidade das várias espécies de atum e o que cá chega tem sido de modo muito disperso. Tal situação deve-se à verdadeira desregulação internacional que foi instalada e que tem permitido que na parte sul do Atlântico Norte estejam a ser usadas artes depredadoras e destruidoras em larga escala. Mas também tem que se dizer que, com algum atum capturado cá e outro importado, mantiveram-se condições de laboração das indústrias instaladas, situação essa que é de, sem qualquer duvida, manter.
As trabalhadoras e os trabalhadores da COFACO/Pico têm sustentado uma muito firme, unida e bem organizada luta pela defesa dos seus postos de trabalho e fazem-no com a convicção própria de que tem toda a razão do seu lado. Este despedimento coletivo, alegadamente feito em nome de uma modernização industrial, significa tão só a vontade do patrão (seja ele quem for) de descartar essas mulheres e homens que, com o seu trabalho de qualidade fizeram da COFACO uma conserveira de renome.
Os trabalhadores, com o seu Sindicato, a União de Sindicatos da Horta e a CGTP/IN, têm atuado de forma muito firme e muito determinada e com a muito bem preparada acção feita junto da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, no passado dia 17/1, conseguiram obter uma posição unanime desse Órgão Regional no sentido de tudo ser ainda feito com vista a ser parado o processo de despedimento coletivo.
A vinda propositada à Região de Arménio Carlos, Secretário Geral da CGTP-IN, para participar no Plenário de trabalhadoras e trabalhadores promovido pela União de Sindicatos da Horta, para se integrar na Manifestação que se seguiu frente à Assembleia e para liderar a Delegação que dialogou com os Partidos e o Presidente do Governo, foi uma atitude que, do ponto de vista politico-sindical, reforçou a luta, criou pontes de diálogo com os decisores políticos e tornou claro que um despedimento colectivo feito assim não tem, nem base, nem fundamento.
Vamos todos ver a evolução deste processo e estar muito atentos aos comportamentos de quem regula, de quem determina e de quem luta. Todos sabemos que este processo não é, nem justo, nem inevitável e por isso temos que continuar a contribuir para que seja feita justiça. 

Horta, 22/1/2018

 

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