O contributo da indústria 4.0 para com o setor da energia e a transição energética  

0
67
DR/Selectra

Por: Gonçalo Henrique dos Santos – Selectra

A Indústria 4.0 marca um antes e um depois na forma de trabalhar, na utilização de recursos e na otimização do tempo, sendo muitos os benefícios que oferece ao setor energético e à indústria em geral. Governos, empresas e especialistas têm noção da importância da indústria 4.0 aplicada ao setor de energia, pois é um elemento fundamental para se adaptar às tendências do mercado, aumentar a competitividade e abordar a transição energética para uma energia mais limpa e sustentável.

A Indústria 4.0 refere-se à forma como os meios de produção são organizados em empresas cujo objetivo é alcançar o conceito de uma fábrica inteligente capaz de se adaptar muito melhor às necessidades e processos de produção, além de procurar a eficiência no uso dos recursos, o que leva a uma nova revolução industrial, daí este conceito ser designado como a quarta revolução industrial ou indústria inteligente.

No entanto, há algo que deve ficar esclarecido. A Indústria 4.0 expressa a ideia de que estamos às portas da quarta revolução industrial, sendo que talvez não se possa considerar uma revolução industrial, mas sim algo que a favorece ou a impulsiona. Qual é o contributo da indústria 4.0 para o setor de energia e a transição energética?

O setor da energia é uma peça chave e vital na economia, é um fornecedor essencial para os restantes setores económicos, razão pela qual é tão importante adaptar-se às tendências do mercado para aumentar a competitividade de qualquer país.

O setor de energia necessita da indústria 4.0, transformação digital e digitalização, sendo desafios que deve enfrentar pelo que já foi dito anteriormente, para ser totalmente competitivo. Muito se fala sobre este tema, e os especialistas estão especialmente preocupados que as empresas não estejam cientes de que é necessário digitalizar implementando os processos adequados.

Beneficios da industria 4.0

Permite o desenvolvimento tecnológico e a dinamização da economia, facilita a flexibilização da produção, podem ser feitas alterações sem afetar os timings de produção. Pode-se conseguir um de personalização de forma a satisfazer as necessidades dos clientes, incluindo quando o volume de produção é menor.

Contribui para a otimizar a tomada de decisões graças à disponibilidade de informações disponíveis e precisas em tempo real. Favorece o uso eficiente dos recursos e o aumento da produtividade, sendo possível acompanhar todo o processo de produção de forma precisa e exaustiva e proporcionando novas oportunidades de negócios.

Para usufruir destas vantagens, é necessário contar com um cenário inovador, o que significa ter fazer investimentos, e disso as empresas estão conscientes, tal como dos benefícios e poupanças que isso acarreta. A Comissão Europeia calcula que para atingir 25% de eficiência energética até 2030 será necessário um investimento de cerca de 2.000 milhões de euros por ano, mas em contrapartida, permitirá obter poupanças de cerca de 9.000 milhões de euros, simplesmente reduzindo o consumo de combustíveis fósseis.

No que diz respeito ao setor energético, para muitos especialistas a indústria 4.0 é a chave para a transição energética, o que não significa que a mudança se deva realizar de um dia para o outro em todas as instalações de produção, mas sim, dotar os sistemas atuais com as ferramentas necessárias que estão enquadradas na indústria 4.0. Um exemplo disto, é a introdução de sensores de registo de dados, algo que facilitaria a otimização do processo produtivo, e também permitiria o desenvolvimento de novos modelos de negócios, como já mencionámos.

O papel da indústria 4.0 na transição energética

Ao realizar a transição energética, é necessário levar em conta três critérios: eliminar incentivos ao consumo que não tenham eficiência energética, utilizem mais recursos próprios e que o consumidor esteja no centro do sistema energético, sendo uma parte ativa da gestão da procura.

Existe uma série de tendências que mudarão as atividades produtivas, levando à quarta revolução industrial, a primeira foi a transição da produção manual para a produção mecânica, a segunda foi a produção em massa, a terceira foi marcada pela automação e a quarta é marcada pelo uso da internet, sistemas cibernéticos, robôs, digitalização, transição energética e cibersegurança.

Investir em várias tendências em vez de se debruçar em apenas uma resultará na diversificação de carteira industrial e no aumento da pluralidade.

Atualmente a antiguidade das instalações de produção é elevada e há uma razão convincente para isto, e que se relaciona com a crise económica que afetou muitos países, e que levou ao adiamento de investimentos que teriam levado a mudanças mais cedo. É por esta razão que atualmente se fala tanto sobre a indústria 4.0 e o que pode representar e contribuir. A isto, é importante referir que a transição energética é mais necessária e urgente do que nunca.

Vale a pena destacar que alguns países estão muito conscientes da importância do contributo da Indústria 4.0, como é o caso da China, onde a economia caminha para um maior consumo interno, facilitando o desenvolvimento da indústria do futuro.

Do ponto de vista industrial, os serviços interconectados e a Internet devem-se basear nos seguintes princípios básicos:

  • Interoperabilidade, ou seja, a interconexão de materiais, elementos e recursos humanos através da Internet e os seus serviços.
  • Descentralização, a capacidade dos objetos conectados na indústria tem a capacidade autónoma de tomar decisões
  • Virtualização, a empresa inteligente deve ter uma cópia virtual onde são exibidas as informações dos sistemas, sensores, modelos de simulação, etc.
  • Orientação para o serviço, capacidade de oferecer um catálogo de serviços que facilite a interação e a criação de novas aplicações que agreguem valor.
  • Capacidade em tempo real, captura de dados, análise e tomada de decisão em tempo real.
  • Modularidade, ou seja, flexibilidade no momento de substituir, adicionar ou remover de novos elementos.

Aqui, desempenha um papel fundamental a introdução das tecnologias de informação como o Big Data ou a Inteligência Artificial, para o desenvolvimento de modelos mais sustentáveis ​​e eficientes de consumo e produção de energia, e a conexão desta informação com o mundo físico através da Internet das Coisas ou Realidade Aumentada.

Esta interligação entre o mundo físico e digital permite a medição e gestão de energia de uma forma nunca antes vista, para que seja possível prevenir e corrigir ineficiências em tempo real, e tomar decisões com base em modelos matemáticos preditivos.

A contribuição da indústria 4.0 para o setor de energia marca um antes e um depois na forma de trabalhar e agir, uma verdadeira revolução que continuamente se multiplicará e mudará o setor de energia à medida que a tecnologia avança.