A designação de “O Triângulo”, dada ao conjunto das ilhas do Faial, do Pico e de São Jorge, pela sua proximidade e disposição geográfica, no Grupo Central dos Açores, surgiu muito tempo antes da revolução do 25 de Abril de 1974, ainda na vigência dos distritos autónomos insulares.
Com o advento da Democracia os Açores adquiriram o seu estatuto de Autonomia Constitucional e a ideia de grupo dessas três ilhas tomou maior consistência e notoriedade, ditadas pela sua beleza paisagística, diversidade e complementaridade, de grande interesse para o turismo e para o fortalecimento da economia.
O conjunto destas três ilhas oferecem naturalmente um sub-destino turístico nos Açores com enormes potencialidades, potenciador de um mercado económico que pode impulsionar o desenvolvimento sustentado do Triangulo, com cerca de 40.0000 habitantes.
Mas entre as potencialidades naturais do Triângulo e o desenvolvimento concreto e real desse conjunto de três ilhas, com a consequente afirmação no contexto regional, a diferença é abismal.
Temos a tendência, e por vezes a razão, de apontar a fatores externos as tentativas de bloqueios e os garrotes que têm condicionado e condicionam o desenvolvimento destas três ilhas.
Embora verdadeiro, esse tem sido o caminho mais fácil para a desculpabilização da falta de coesão e de um projeto conjunto, tripartido, concertado entre as várias partes, com visão do interesse comum, capaz de derrubar barreiras, divisionismos estéreis e bairrismos doentios, a nível de concelho e de ilha, que tem prevalecido e não nos tem conduzido ao tão almejado desenvolvimento das ilhas do Triângulo no seu conjunto.
Com a criação da Associação de Municípios do Triângulo (AMT), em 1990, pensou-se unir, congregar esforços para um rumo comum. Mas o tempo encarregou-se de mostrar que a defesa do interesse do conjunto destas três ilhas era uma miragem. Várias composições partidárias de maiorias de vários quadrantes políticos não foram até hoje capazes de criar um projeto comum sólido para o desenvolvimento do Triângulo, por força ou pressão de interesses individuais em prejuízo do interesse comum. No entanto, esta associação, com a visão alargada dos dirigentes da altura, teve o mérito de, na década de noventa, ser pioneira da primeira experiência do transporte rápido de passageiros no Triângulo, com o aluguer do barco rápido “Trijet” que aqui operou no verão de 1996.
Por outro lado, em 2009, foi criada por Associações Empresariais e de Desenvolvimento Local a Tryangle – Agência do Triângulo dos Açores que tinha como objetivo estratégico criar, desenvolver e promover a creditação da marca Triângulo dos Açores e, de entre as suas diversas atividades, destacava-se a dinamização das ilhas do Triângulo, a criação de uma plataforma de cooperação inter-ilhas, intermunicipal e entre as entidades públicas e agentes privados capaz de fomentar o desenvolvimento local, e dar a conhecer a oferta turística nas ilhas do Triângulo, com uma aposta forte no mercado da Nova Inglaterra.
No passado dia 5 de Maio reuniu nesta cidade o Conselho Executivo da AMT- Associação de Municípios do Triângulo tendo sido noticiado que nesta reunião esteve a ser debatida a promoção do destino Turístico do Triângulo, tendo o Presidente da Câmara Municipal da Horta, que preside àquele Conselho, afirmado que as principais decisões da AMT estão focadas na promoção do Triângulo no exterior.
Foi também noticia que, para atingir este objetivo, a AMT convidou um empresário das Lajes do Pico, por sinal o principal impulsionador da criação da “Tryangle”, para apresentar o seu projeto comercial que passa pela promoção da marca “Triangle The Azores | An Island Cluster”, sendo este novo produto turístico essencialmente criado para a promoção do Triângulo e direcionado para o mercado da Costa Leste dos Estados Unidos da América e Canadá.
Desde a década de noventa que, com maior ou menor enfase ou entusiasmo, muito se tem falado ou defendido a afirmação e promoção do Triângulo, tanto a nível autárquico, associativo ou individual. Mas a verdade é que os resultados têm ficado muito aquém do falatório, dos objetivos enunciados e dos reais interesses do Triângulo.
Assim se prova a falta de estratégia, de eficácia e de fingimento do interesse comum com que se tem andado e anda a promover o Triângulo. Para isto há responsáveis e na primeira linha desses está a Associação de Municípios do Triângulo.
Urge definir entre os municípios das ilhas do Triângulo, governo, associações empresariais e de desenvolvimento local, e agentes privados uma estratégia sólida para a promoção e desenvolvimento do Triângulo e implementá-la com coragem e ambição para aproveitar de uma vez por todas o potencial que detém este espaço geográfico.
Exige-se, para o efetivo desenvolvimento sustentado do Triângulo, menos discursos proclamatórios, menos declarações de intenções, menos propaganda e mais união, mais ação e mais resultados.











