Em 31 de Maio, o Estádio Nacional foi palco de duas lindas efemérides: o 70º.aniversário do Estádio, com a original Praça da Maratona, a lembrar a antiga Grécia, e os Cem Anos da prestigiada Federação ao desporto-rei dedicada, datas que o seu Presidente, Dr. Fernando Gomes, quis assinalar, e bem, com o devido e merecido brilho.
E fê-lo com um desafio de futebol entre a Grécia e a equipa das Quinas, designação com origem no patriótico símbolo que sobressaía a meio da camisola branca ou encarnada aquando do célebre mundial na Grã Bretanha.
Passados que são tantos anos, ainda hoje a selecção portuguesa é conhecida popularmente pela equipa das Quinas, pelo que achamos que a Federação não ficaria diminuída se o voltasse a colocar nas camisolas, embora mantendo o emblema federativo.
Outra iniciativa assaz digna de menção: a homenagem prestada a dois portugueses nascidos em Moçambique: Mário Coluna e Eusébio, dois saudosos futebolistas do Benfica e do futebol nacional, tendo ainda sido colocada uma vistosa placa na Praça da Maratona alusiva ao maior futebolista português de todos tempos que foi o Pantera Negra.
E como é sabido o desafio terminou sem golos, quiçá o resultado mais condizente com o desenrolar do jogo, conquanto a vitória da equipa das Quinas se aceitasse.
E no domingo, foi a final da Taça de Portugal e a inauguração das beneficiações feitas pelo Governo e Federação de forma a tornar o Estádio mais actualizado ao momento presente.
Defrontaram-se pela segunda vez Benfica e Rio Ave, tendo os encarnados vencido agora por 1-0, enquanto para a Taça da Liga, o resultado fora de 2-0.
E as duas equipas voltam a defrontar-se no início da próxima época, na disputa da Taça Cândido Oliveira, Homem do futebol que passou a ser conhecido dos faialenses aquando da memorável visita do Casa Pia em 1922. Era o capitão da equipa vice-campeã de Portugal.
Como se sabe, o Fayal Sport perdeu dois jogos, (2-0 e 4-1) e empatou o último, sem golos, e que Júlio Andrade, actuando a extremo esquerdo, e com uma corrida vertiginosa e pontapé soberbo, foi o autor do único golo faialense.
Rosto de Cão e Rabo de Peixe …
… originários nomes de duas freguesias de São Miguel cuja origem fiquei a conhecer, ao ler a seguinte passagem de recente “Recordando” do conhecido Padre/Jornalista, Ferreira Moreno, há muitos anos imigrado na Califórnia:
“Manuel Falcão Viveiros, genuíno rabopeixense, radicado em Fall River, no seu livrinho “Mosaicos à sombra” presenteou-nos com esta curiosa referência:
“Um dia, estando o dr. Armando Cortes Rodrigues (1891-1971) sentado com amigos num café em Paris, um deles perguntou-lhe de que região portuguesa era ele natural, obtendo a seguinte resposta: “Dos Açores e duma ilha onde há homens de Rosto de Cão e mulheres de Rabo de Peixe”.
Quanto aos homens de Rosto de Cão, Cortes Rodrigues estava a referir-se, evidentemente, à freguesia micaelense de São Roque com um ilhéu fronteiro cuja extremidade aparenta o focinho dum cão. Por sua vez, Rabo de Peixe, vila piscatória e agrícola na costa nortenha micaelense, é a terra de sereias e do Bom Jesus, como o próprio Manuel Estrela retratou em quadras aqui reproduzidas:
“Sereias da minha terra,
Da terra do Bom Jesus.
Vila que em si encerra
Valor, beleza e luz.
São sereias encantadas,
Que em terras tão distante,
Serão sempre recordadas
Pelos nossos imigrantes.”
A propósito, na estrada regional, na subida para a Ribeirinha de Castelo Branco, em certo sítio da berma via-se, na costa, um rochedo semelhante a uma mulher de capote, original criação da natureza muita apreciada pelos faialenses e que se tornou em paragem obrigatória, particularmente para visitantes.
Por sinal uma rica oferta turística…
Colóquio prestigiante para o Faial
É sem dúvida uma manifestação que muito prestigia a nossa “Terra pequena com coração grande” como exclamou o Presidente Carmona no miradouro da Espalamaca ao admirar a Horta a seus pés.
Uma memorável expressão que devemos ter sempre presente, por se tratar de valioso testemunho que bem sintetiza a Alma faialenses.
Na verdade, o Colóquio, “O Faial e a periferia Açoriana nos séculos XV a XX” que vai em meia dúzia de realização bienal, é um lindo exemplo da vontade da gente da minha ilha que acredita na importância de tamanho evento, merecedor de divida continuidade.
É certo de que o Tribuna das Ilhas fez a devida cobertura do Colóquio em apreço, mas como nonagenário faialense, vivendo há anos na cidade Património Mundial, não posso deixar de o registar em tópico que seja.
Natural e que me sinta honrado por o Núcleo Cultural da Horta, de que sou modesto membro, tem vindo a desenvolver uma acção dignificante que o põe à altura de outras instituições sedeadas nas ex-capitais de distrito.
Mais que justificado está o facto de neste sexto Colóquio não o ter podido alargar as às outras ilhas da periferia, sendo, porém, de esperar os merecidos apoios para que a normalidade volte na próxima edição.
Falando um dia destes com um intelectual terceirense ouvi elogios que me calaram fundo, aliás, como tudo quanto diga respeito à minha Ilha.
* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico












