Os insetos e eu…

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Tenho com os insetos uma relação muito conturbada: medo, nojo, ódio, repulsa, nem sei adjetivar! E ninguém me compreende, o que é pior, porque não imaginam o terror que sinto na presença de qualquer um daqueles asquerosos seres.

Desde cedo carrego este problema. Sem solução. Todos para mim tem o condão de me fazer perder as estribeiras. E não é um problema de atavismo, porque àcerca disso já fiz exaustivas pesquisas, sempre zeradas.

E, curioso, há muito que concluí que eles, os infelizes, me amam. Em qualquer parte onde me encontre, em casa, na rua, noutro país, existindo um bicharoco daquela classe é vê-lo feliz, aproximando-se e jamais me largando.

O único sítio onde posso estar tranquila é em casa mesmo. E porquê? Porque uso e abuso dum produto chamado  BIOKILL. É tiro e queda. Isto vai assim à laia de conselho e embora pareça comercial, nada tem a ver. É um conselho grátis, para você, leitor. 

Bem, continuando o meu discurso, diria que eles até tem viajado comigo. Como eu minto nos aeroportos da vida! Tem alguma coisa a declarar? E, eu, com o ar mais inocente do mundo: Imagine, nada, pode verificar à vontade! Sabendo de antemão que ali, naquela bagagem, naquela bolsa, quem sabe na roupa que visto, carrego uns mosquitinhos cariocas, árabes, noviorquinos, italianos, até mesmo algum francês chiquérrimo! Bichinhos e bichezas que resolveram viajar sem passaporte, sem cartão de embarque, sem reserva, sem nada! Intrusos, descarados. E eu patuando!

Na época alta do dengue, o aeroporto do Galeão, fiquei preocupada. Será que estou carregando algum infeliz? E, na hora da pergunta: Tem alguma coisa a declarar, enchi-me  de coragem e disse: nada, não, a não ser um ou outro denguezito à toa. O empregado acalmou-me: Vão morrer pelo caminho porque não resistem ao frio.

Na época em que houve cá na terra uma invasão de escaravelhos, eu, janelas fechadas, via-os esvoaçando no jardim, feito malucos. Fiz malas e voei para o Rio. Não é que transportei na bagagem três escaravelhos, que puseram a casa da minha filha em polvorosa? Imaginem, se na alfândega do Galeão tinham detetado os bichos, o problema que se teria desenvolvido! Nem pensar! Seria o José Castelo Branco com as jóias e eu, com os escaravelhos. Cada qual joga com os trunfos que tem!.

Dia destes cerca da meia noite ao fechar a janela do meu quarto sou confrontada com uma coisa, género foguetão que entrou à velocidade da luz e aterrou no reposteiro. Aí, abri berreiro, feito possessa. Apliquei inseticida e a barata caíu, barriga ao ar. Já viram uma barata em coma? Parece uma lagosta acabada de cozer. Não quero lagosta! Enjoada, resolvi deixar a coisa agonizando e fui dormir no sofá da sala, ao fundo do corredor. Não é que a infeliz, agonizante, dopada, fez aquela quilometragem toda corredor fora, com a finalidade de dar o último suspiro junto de mim. A sério! Isto tem muito valor!

Quando criança de escola, uma menina de quem eu gostava pouco ofereceu-me um dia uma caixinha com muita simpatia e um abre com cuidado. Saíu de lá uma barata viva e eu fui encontrar-me passadas horas, disseram no consultório do Dr Eduardo. Sem fala. E sem fala fiquei até hoje com a tal menina.

Em Búzios, um bando de mosquitos, género pernilongos deu-me as boas vindas à saída do carro e eu apaguei. Apaguei mesmo. 

Tudo quanto é inseto é asqueroso para mim. Desde a pequena formiga, passando pela térmita até àquelas grandonas que abrem asas e picam, agressivas, chateadas. Detesto abelhinhas, as tadinhas que fazem o mel! Detesto a borboleta do bicho da seda. Detesto as moscas de mil olhos facetados e pernas peludas carregando tudo que é nojento. O pior é que se esgueiram pelos lugares mais incríveis, intrometendo-se na nossa vida, sem nos dar folga, quais estranhos que não sabem respeitar as nossas portas fechadas, esquecendo que só gostaríamos de deixar entrar a luz do bem querer por pequenas frestas.

E, noite destas, uma insónia daquelas, levou-me até ao televisor. Imaginem o programa.  A vida dos insetos. O que eu aprendi! Fiquei sabendo naquela madrugada que a população mundial (animal) é constituída por 99,9 % de insetos. Imaginem! Há um milhão de espécies conhecidas. Um simples casal de moscas põe na primavera 191.010.000.000.000.000.000. de ovos. Só!

Ora, fiquei pensando que utilidade terá esta montoeira de bichos? E, se não tem como debelá-los? Quantos Belmiros  Azevedo seriam necessários para os poder eliminar? Qual a razão de existir tanta coisa inútil, quando levamos uma vida inteira procurando à toa uma útil, ao menos uma que alegre a nossa vida? 

Lembro as palavras duma colega alentejana no dia que à custa dum bicharoco lhe quebrei uma peça de estimação: “O teu problema é olhares o inseto e concentrares-te demais . Tens de aprender a despreocupar-te.” E pegou nos cacos , tentando uni-los. Só mesmo uma alentejana!

Para terminar aqui deixo uma dica para aqueles que, como eu detestam insetos. Usem e abusem de BIOKILL. Morrem aos milhares. É a nossa vingança. E é chato morrer, senhor inseto. Nunca mais uma viagem, nunca mais uma mordidela à maneira, nunca mais uma escalada naquele paredão da rua, nunca mais uma nojeira nas patinhas para nos oferecer, nunca mais uma pousada na careca do tal senhor, nunca mais uma cuspidela de mel, nunca mais um ferrãozinho trancado na pele de qualquer um, um nunca mais de nunca mais…

 

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