Página Mensal da Delegação Regional da Ordem dos Psicólogos Portugueses

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Nota de Abertura

Novo ano, nova janela de oportunidade

Ano após ano assinalamos as doze badaladas com doze desejos, na esperança que o novo ano nos permita realizar aquilo que andamos a adiar ciclicamente ou aquilo que acreditamos que nos irá fazer mais felizes. Muitos dos nossos desejos ficaram por realizar porque a labuta do dia a dia os remetem para um segundo plano. No entanto, ano após anos continuamos a acreditar que é possível fazer diferente, é possível mudar.
Será que é possível quebrar este ciclo? Será que é possível fazer diferente? Talvez… E se em vez dos doze desejos nos concentrássemos nas cinco coisas que são realmente importantes na nossa vida? Tire tempo para pensar sobre isto, particularmente se é a primeira vez que o faz. Não se deve deixar influenciar pelo que as pessoas que o/a rodeiam acham importante, nem escreva coisas só porque acha que “deveriam” ser importantes. É sobre si e apenas sobre si. É livre de escrever o que você gosta. Pode ajudar pensar em diferentes áreas da sua vida, tais como vida pessoal, vida profissional ou responsabilidades e vida social e tempo de lazer.
Sugiro que as escreva e durante o mês de janeiro as releia até encontrar a sua lista definitiva. É possível que os seus problemas ganhem uma nova perspectiva.
Feliz 2019! 

Maria Luz Melo

 

A Propósito do Natal: Solidariedade e Coesão Social

O Papel da Psicologia na Mobilização de Práticas Solidárias nas Comunidades Locais

A ideia de solidariedade aparece nas nossas práticas sociais, políticas e económicas, privadas e públicas, a partir do século XIX, enquanto novo laço e nova forma de relacionamento entre cidadãos, fortemente ligada às suas capacidades de participação nos processos de desenvolvimento de uma comunidade. Ligada, por esta razão, à ideia de democracia, a solidariedade tem assim um carácter transversal, abrangendo todos os cidadãos independentemente da sua origem, etnia, género, religião e classe social, afirmando a igualdade entre todos no respeito pela diversidade existente. Nesta lógica, a solidariedade substitui-se à caridade e à filantropia, onde alguns, que vivem numa situação de desafogo económico, cuidam de outros em períodos específicos, normalmente celebrativos, pressupondo não uma relação de igualdade, mas sim uma relação assimétrica que torna o outro dependente, gerando nele processos psicológicos e sociais de acomodação a práticas de subordinação e submissão. A solidariedade, como conceito, procura a rutura com este desígnio de dependência, contrapondo com a noção de elo social que pressupõe a existência de cidadãos livres, autónomos e capazes de criar um sistema universal de interdependências em direitos e deveres, fazendo emergir um ecossistema sociopolítico, assente em redes locais de reciprocidade e em redes públicas de suporte socioeconómico. Ser solidário, envolve assim, um propósito de apoio ao desenvolvimento pessoal, social e comunitário em que todo o cidadão é olhado com um ser autónomo com capacidades para adquirir competências que lhe permitam prover a sua própria vida. Neste sentido, a solidariedade é o elemento de referência de uma sociedade que procura garantir um futuro para todos, onde a coesão social se afirma como central. Em face dos problemas existentes nas nossas comunidades, urbanas e rurais, e das causas originadoras de desigualdade, nomeadamente a pobreza, a exclusão, a doença mental, o desemprego, o individualismo excessivo, entre outras, o conceito de solidariedade obriga-nos a recentrarmo-nos no desafio de conseguir uma vida de bem-estar para todos, com dignidade, justiça e equidade. Por esta razão, as práticas solidárias terão de ser capazes de afirmar uma clara visão interdisciplinar, onde a saúde, a económica, a educação, a ação social, a cultura e o ambiente se articulam na vida de todas as pessoas na construção de relações de reciprocidade, colaborativas e resilientes. Mas estas relações não emergem espontaneamente, tornando premente a mobilização de todos os atores locais na procura de uma justa distribuição dos recursos existentes. É neste processo de mobilização comunitária que a psicologia em geral, e em particular a comunitária, pode ter um papel fundamental como elemento desencadeador de práticas de valorização e reforço das competências individuais e coletivas, num processo de “emporwerment”, aumentando as capacidades de participação e de cidadania ativa, como um dos pilares fundamentais da solidariedade no apoio à integração social de todos. No entanto, o saber ser, estar e fazer que possibilita um caminho de inserção social, pode não ser suficiente. É necessário que a comunidade se organize para ser capaz de incluir, ajustando-se e adaptando-se para aceitar todos os cidadãos, independentemente dos seus problemas, integrando-os, de modo a que possam, de forma autónoma, ter uma vida a mais normalizada possível. A psicologia, neste processo torna-se fundamental, enquanto provocador de mudança nos diferentes ecossistemas da comunidade, criando mecanismos de cooperação e facilitação da integração e nunca para justificar ou confirmar que o problema está nos cidadãos, porque, nascendo menos competentes devem a ser sujeitos de caridade e não de capacitação. Nesta linha de pensamento, a psicologia deve centrar a sua ação no conceito de autonomia, expressando uma forma de agir que se afasta dos sistemas de organização heterónoma da sociedade e afirma-se no apoio à formação de competências que cada cidadão pode adquirir para determinar a sua própria vida e à emergência de processos colaborativos e conectivos de criação local de medidas que abandonem práticas sectoriais exclusivas e apostem em processos inclusivos de solidariedade sistémica com a vida, de e para todos. 

Artur Martins
– Psicólogo Educacional

 

Aconteceu

Representações DRA

A 30 de novembro, a DRA participou na Tertúlia Psicologia Sem Fronteira, organizada pelo Núcleo de Estudantes de Psicologia da UAc.
Nos dias 3 e 4 de dezembro, participou em Braga, no Seminário de Psicologia de Educação, organizado em conjunto com a Direção-Geral da Educação. Neste evento, foram discutidas e reflectidas as recentes alterações legislativas e documentos orientadores da prática e o impacto junto dos psicólogos em contexto escolar.

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