Que “Lucky” para os amigos!

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Inserido no “Natal com Tra-dição”, a Câmara Municipal da Horta” decidiu festejar, como vem sendo habitual há alguns anos a esta parte, o Dia de Reis, tendo promovido a realização, no fim-de-semana passado, de três iniciativas públicas, sem dúvida, importantes para a quadra em que as mesmas se inseriam.
Ora, se a última dessas iniciativas em termos cronológicos – Encontro de Ranchos no Teatro Faialense – não deu origem a qualquer celeuma, o mesmo não se passou com as outras duas.
Na verdade, aquando da receção aos Ranchos de Natal, realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, logo se percecionou a orientação do Município para esta quadra – o de presentear apenas os seus convidados com os espetáculos constantes do programa.
Efetivamente, deu-se ali conta que a atuação dos oito Ranchos se destinou quase em exclusivo aos escolhidos pelo Município, não tendo sido concedida a possibilidade a qualquer outro faialense de ali apreciar as belas músicas de Reis.
E o que dizer do que se passou, no mesmo dia, no Teatro Faia-lense para assistir ao concerto da conhecida banda portuguesa “The Lucky Duckies”?
Muitos foram os faialenses que ansiosamente se deslocaram à bilheteira do Teatro Faialense, aguardando na fila com uma considerável antecipação temporal a abertura da mesma para garantir o seu bilhete, no entanto, para seu espanto, toda a plateia se encontrava reservada por questões de protoloco do Executivo Camará-rio, entenda-se, para os seus convidados, disponibilizando apenas os lugares dos camarotes, que rapidamente esgotaram.
Esta situação gerou polémica e contestação pelo elevado número de convidados, que na hora da entrada até tiveram direito a uma zona delimitada, para serem devidamente bem-recebidos.
Tal foi o desagrado manifestado pelos faialenses que não conseguiram bilhete e até mesmo por alguns dos felizes contemplados pela oferta do município, que o vocalista da banda a meio da atuação, pasme-se, tentasse justificar o injustificável.
Foi pior a emenda do que o soneto! E nem as músicas dedicadas especialmente aos ocupantes dos camarotes suavizaram a questão.
Tanto mais que essa tarefa não era, na realidade, incumbência do vocalista, mas sim daqueles que proporcionaram o espetáculo, mas que se mantiveram em silêncio.
É fundamental que, em mais esta polémica que tocou diretamente em muitos faialenses, o Presidente do Municipio esclareça porque foi convidado a pessoa A ou B e não foi convidado a pessoa Y. Qual foi o critério objetivamente utilizado para a definição da escolha dos convidados?
A esse propósito já o Grupo Municipal do PSD apresentou um requerimento, na passada segunda-feira, de forma a verem esclarecidas as circunstâncias que envolveram a disponibilização de lugares para o referido concerto.
E será também importante que esclareça quem é que na sua administração determinou que apenas a plateia e não os camarotes seria reservada aos convidados da Câmara Municipal?
É visível que a Câmara Municipal da Horta ao decidir optar por esta estratégia abriu um claro precedente que pode afetar a relação de confiança que os cidadãos têm naquele órgão institucional.
Não cremos nem se aceita, sinceramente, que se tenha tratado de uma atitude premeditada por parte do Executivo Autárquico para satisfazer certos cidadãos, aparentemente escolhidos de forma seletiva, antes comparamos esta posição a um qualquer espírito natalício inspirado na inovação “é Natal ninguém leva a mal”, assim como a uma onda populista que tem vindo a germinar e crescer no meio político.
É motivo para dizer que “sorte” tiveram os convidados. 

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