PAN/Açores solicita esclarecimentos à tutela da saúde açoriana sobre os critérios no período pós-emergência na Região Autónoma dos Açores

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Açores, 04 de Maio de 2020 – Terminado o período mais restritivo de emergência desta pandemia pela Covid 19, a RAA, tal como o resto do país, vai entrar numa segunda fase de reabertura social e recuperação económica. Porém, para além das medidas gerais preventivas já anunciadas nos Açores, nomeadamente as mais generalistas como o distanciamento social, higiene das mãos e sobretudo o uso da máscara, que suscitou alguma polémica por não ter sido implementado à partida como medida obrigatória, há questões inquietantes que necessitam de ser esclarecidas ao nível da vigilância epidemiológica e que são motivo de preocupação para o PAN/Açores.

 

1. Como pretende a Secretaria Regional da Saúde monitorizar  os portadores assintomáticos capazes de desencadearem várias cadeias de transmissão activas da doença, podendo, eventualmente, deitar  por terra todo o trabalho de contenção até agora conseguido com a fase de confinamento social que a comunidade cumpriu? Aplicando a metodologia de testes aleatórios ou testes rápidos de detecção (se vierem a ser aprovados) por amostragem estatística, para a população geral, ou, em contraposição, optando por testes em massa?

 

2. Como vai monitorizar a taxa de pessoas residentes imunizados de maneira a prever o objectivo da imunidade de grupo ou comunitária? Para além da metodologia atrás apontada, vai disponibilizar dispositivos técnicos para realização rápida de exames de detecção/quantificação de anticorpos frente ao SARS COV 2 em todos os hospitais e, indiscriminadamente, em todas as Unidades de Saúde de Ilha (USI) e, mesmo nesta fase, vão manter a realização dos testes confirmatórios sob a decisão suprema de um médico regulador do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores como tem acontecido até agora ?

 

3. Como vai controlar e estabelecer os limites e os vários níveis de alerta, em função da variação do número de infectados e do número de novos, eventuais, doentes, de baixa, média e alta gravidade, seja para gestão racional de recursos, seja para re-implementação de medidas mais restritivas?

 

4. Como é fundamental para esse controlo, tem a tutela da saúde um levantamento exaustivo actualizado da capacidade logística instalada, de profissionais e de material clínico em todas as ilhas?

 

5. Qual o critério de testes que a DRS vai seguir para abordagem precoce de infectados, em massa ou pelo método de amostragem aleatória com extrapolação, como acima mencionado, pelo menos em determinadas populações-alvo, fundamentalmente, na população mais exposta ou de risco, sobretudo, idosos, doentes crónicos, residentes em lares, profissionais de saúde e cuidadores informais, grávidas, utentes hospitalares, docentes, educadores de infância e, eventualmente, trabalhadores de grandes aglomerados laborais ou que lidam directamente com o sector alimentar, de fornecimento de material hospitalar e da distribuição logística em geral?

 

Pedro Neves, Porta-voz do PAN/Açores levanta uma questão no contexto organizacional: “como pretende a Direcção Regional da Saúde supervisionar os temas acima expostos sem o recurso a especialistas vocacionados para esta área, como epidemiologistas e médicos de saúde pública, que estranhamente não fazem parte de qualquer gabinete existente para este efeito, nem sequer da Secretaria ou da Direcção Regional? Onde estão os médicos de saúde pública nos Açores? Ou a tutela vai assumir uma mera política empírica e através de nomeação por inerência? Porque não é abordada esta questão?”

 

Aliás, indo mais longe da questão infecciosa, o Porta voz do PAN/Açores acrescenta: “quando terá a Região Autónoma dos Açores uma verdadeira política de saúde virada para a prevenção com a criação de equipas organizadas e coordenadas para levantamento de patologias predominantes na região, com enorme impacto na saúde da comunidade açoriana e estudos epidemiológicos centrados, principalmente, em certos grupos populacionais de risco, com estudo regular dos resultados de eventuais medidas adoptadas, que são habitualmente da competência desses mesmos especialistas em saúde pública.” Especialistas estes, sublinhamos,  que os governos da RAA, desde há alguns anos, inexplicavelmente e de forma cabal e inadmissível, têm prescindindo, substituindo-os por outros profissionais sem os devidos conhecimentos e especialização nesta matéria sem que seja possível, realmente, tranquilizar a comunidade açoriana, auxiliando os profissionais de saúde no terreno hospitalar e de assistência?”

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