Passado e futuro: um só presente

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Uma civilização tem dois rostos: o passado e o futuro, a tradição e a modernidade, a repetição e a novidade. Como um dom, ambos, a herança e o sonho, constituem um só “presente”, o Presente. Com estes dois braços, cultiva-se a existência humana, na esperança do fruto saboroso que é um mundo mais livre, mais igualitário, mais fraterno. Precisam, esses dois braços, de ser exercitados, cada qual em separado, mas também em conjunto. O filósofo contemporâneo francês Michel Serres (1930-2019), autor da formidável obra-prima “O Terceiro Incluído”, sublinha a importância da “mestiçagem” como base, por excelência, da criatividade. Se observarmos regiões, como, na Macaronésia, as Ilhas Canárias, e, na Europa Continental, a Alemanha, onde o património histórico-cultural e a criação artística se comportam como acérrimos aliados, entendemos a sua estreita conexão com a economia, designadamente a cultural.

Tenho a honra de ser o primeiro micaelense (e o 13.º) nomeado para Diretor Regional da Cultura dos Açores. Filho de uma arrifense conservadora e de um mariense liberal, a minha família espalha-se, ainda, pelas Ilhas Terceira, S. Jorge, Faial, Flores e Corvo. Sou grato por ter estudado doze anos em S. Miguel e quatro na Terceira, e ter trabalhado três anos no Faial. Esta mobilidade permitiu-me rasgar os apertados limites insulares e escancarar a mente e o coração aos horizontes arquipelágicos. Orgulho-me tanto de ser micaelense, como de ser açoriano. Um mesmo magma alimenta cada uma das nove ilhas. Somos tão diferentes e tão parecidos.

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