Pior que o Covid só mesmo o Covid izer!

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Esta é só uma das muitas frases jocosas que se ouviram nos últimos dias acerca da pandemia por corona vírus. Mas, eventualmente, reflecte muito bem o manancial de informação cuidada e descuidada que circula pelas redes sociais e que é veiculada também pela comunicação social e mesmo avançada pelas autoridades oficiais.
A Directora Geral da Saúde, em plena crise em Wuhan, dizia que este vírus “não se transmite facilmente de uma pessoa para outra” e mais tarde ainda, disse que não haveria “grande probabilidade de um vírus destes chegar a Portugal”. Pela mesma altura, a Ministra da Agricultura dizia em Berlim que isto poderia ser “uma oportunidade para as exportações portuguesas”.
Actualmente em Wuhan fazem-se desinfecções bi-diárias da cidade, que está em serviços mínimos. Em Portugal, vi este fim-de-semana o Ministro do Ambiente a acompanhar uma desinfecção das estações de metro e das carruagens com um produto, que diz ele, garante a desinfecção durante um mês. Ora, qualquer pessoa que esteja minimamente familiarizada com processos de descontaminação, limpeza e desinfecção, saberá que a superfície que o Sr. Ministro diz estar desinfectada, deixará de o estar a partir do momento em que alguém lhe toque. Tão simples quanto isto.
A Ministra da Saúde, Marta Temido, disse que “em Londres, durante os bombardeamentos, os ingleses foram trabalhar”.
Qualquer uma destas afirmações denota aquilo que é o que verdadeiramente estamos a viver, um desconhecimento ainda bastante elevado acerca do comportamento do vírus. Começam a aparecer os primeiros estudos, aparentemente as primeiras vacinas, mas de qualquer forma será necessário consolidar os estudos. Quanto às vacinas, até que se chegue a uma produção em massa levará o seu tempo e não permitirá no imediato resolver a contingência que vivemos.
O problema nestas situações é e será sempre a comunicação, a falta dela ou a confusão que ela provoca. Não deveríamos ter que ouvir pessoas absolutamente desentendidas na matéria como o Ministro do Ambiente. É aliás como aqui na Região… O Director Regional da Saúde tem tido um papel exemplar na transmissão de informação, e fá-lo de forma informada e clara, já o mesmo não se poderá dizer da Sr.ª Secretária Regional da Saúde.
Mas e afinal o que é que interessa mesmo? Qual a informação que deveremos privilegiar?
Neste momento sabemos que o que está em causa é a capacidade de resposta dos serviços de saúde. Para que este não sature e colapse, também se sabe que a diminuição de interacções sociais fará com que a propagação seja mais lenta o que permite uma curva de contaminação menos acentuada e por sua vez salvaguarda que as unidades de saúde possam prestar os cuidados que se impõem.
Considero que as decisões tomadas pelo Governo Regional dos Açores se têm demonstrado adequadas e têm mostrado que há um acompanhamento adequado da evolução da situação, acompanhado da necessária escalada de contingências.
O que não se compreende por outro lado é a falta de consciência que vemos em muitos dos nossos concidadãos… Inúmeras pessoas partilham, agora nas redes sociais as suas chegadas a aeroportos sem serem controlados. Posteriormente dizem que estão em supermercados e que não foram controlados. Dizem que podem circular à vontade sem que ninguém lhes tenha imposto uma quarentena! Foram receber os seus filhos com abraços aos aeroportos, e agora colocam-nos em quarentena, circulando os pais livremente porque a Delegada de Saúde não lhes deu uma “baixa” para quarentena. Não percebo o que é que esta gente quer. É sempre culpa dos políticos e da política.
A maioria das pessoas que conheço, de alguma forma e dentro do possível, impôs-se uma redução da actividade social presencial. Já os denunciantes da falta de controlo nos aeroportos e afins, que normalmente são muito ciosos das suas liberdades e garantias, o que queriam agora era um regresso da PIDE que os impedisse de ir à rua.

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