TAL E QUAL…

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A Grécia Antiga foi o berço da democracia. Em Atenas, no sec IV a.c, o governo era exercido por todos os homens livres. Naquela época, os indivíduos eram eleitos diretamente para os diferentes cargos e todos tinham o dever ético de participação na vida pública. Na democracia ateniense, existiam assembleias populares, onde eram apresentadas propostas e todos os cidadãos livres podiam votar. Mas do direito ao voto e à participação eram excluídos os escravos, os estrangeiros e as mulheres. Desde cedo as mulheres foram afastadas das esferas de poder e de decisão. 

A primeira grande luta das mulheres, que começou no início do século passado, foi pelo direito ao voto. Em Portugal, as eleições para a Assembleia Constituinte da I República, em 28 de maio de 1911, colocaram o nosso país na vanguarda do movimento sufragista. Carolina Beatriz Ângelo, médica, viúva e chefe de família, foi a primeira mulher a exercer o direito de voto em toda a Europa Central e do Sul. Fez uma leitura da lei, que os legisladores republicanos não foram capazes de prever, e recorrendo à Justiça, conseguiu recensear-se e votar. Em 1913, a República mudou a lei e interditou o voto das mulheres. Paradoxalmente, as mulheres só viriam a reconquistar o direito de voto com o Estado Novo, em 1931, mas só as que tinham o Liceu ou um curso superior, isto é, muito poucas. Entretanto, seria imposta outra condição: só podiam votar as mulheres que tivessem um determinado rendimento. Tal e qual!
Manuel de Arriaga, eleito Presidente da República em 24 de Agosto de 1911 – foi o primeiro chefe do Estado do novo regime republicano. Este “cidadão” quando ia, diariamente, exercer o seu cargo presidencial, apanhava o eléctrico, como outro cidadão qualquer. Sem dúvida, um modelo de ação inspirador para os governantes de hoje: Presidente da República, ministros, presidentes de câmara…Tal e qual!
Na proximidade de um ato eleitoral de grande significado para as populações, deverão as mulheres e os homens exercer o direito ao voto, como forma de afirmação da sua vontade livre e da sua consciência. É desta forma – através do voto – que, em democracia, é possível travar injustiças e prepotências sociais, de género ou quaisquer outras. 

 

 

 

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