(Porto de pescas de Ponta Delgada das Flores)

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O deputado José Pacheco e a sua comitiva visitaram a ilha das
Flores nos passados dias. Com o tempo convidativo a estar-se perto
do mar, seguiram caminho até à freguesia de Ponta Delgada,
chegando ao seu porto de pescas onde permaneceram
efemeramente em cima do cais. Da interpretação que fizeram do
diálogo com alguns locais – mesmo não sendo pescadores -, e das
suas próprias considerações, constatam que testemunharam a falta
de condições naquele mesmo local.
Para contextualizar, vale a pena uma nota histórica sobre o
mesmo porto de pescas.
Este foi construído no ano de 2009, no local onde existia um
pequeno porto com um varadouro e com um quebra-mar que, até
então, só servia lanchas de boca aberta. Foi prometido pelo Partido
Socialista um porto com uma configuração e dimensão muito
interessante, que elevou a espectativa da população local, mas que
acabou por sofrer cortes orçamentais e a obra surgiu muito mais
tímida e de pequena dimensão. Foi “finalizada” e nada tinha que ver
com o projeto anunciado. A obra foi entregue mesmo sem
enrocamento por de trás do muro-cortina – que protege as
embarcações de galgamentos – permanecendo estes anos todos
sem proteção estrutural de uma obra considerada finalizada.
A única proteção existente nessa linha da frente são blocos
antifer que ficam a um metro debaixo de água e que, com estes
anos todos de mar rigoroso, acabaram por ficar soltos e singelos,
levando quase ao bloqueio da entrada da barra, ficando as
embarcações no risco de abalroamento nos blocos que têm o
propósito de lhes proteger. A solução utilizada pelo governo
socialista foi o rebentamento com explosivos de alguns blocos
antifer, restando outros na entrada da barra que não mereceram
atenção, muito menos os desarranjados na linha da frente da
proteção do cais.
Sem enrocamento para proteger a infraestrutura e
embarcações, os galgamentos de mar já afundaram 2 lanchas de
pesca profissional, em dois momentos de infortúnio de mar
distintos, o que levou a meses de um processo de recuperação das
lanchas juntamente com seguros e os mesmos meses sem irem à faina para obter rendimentos.

Portanto, ficou um porto incompleto e que não teve a devida
atenção dos governantes do seu tempo, atravessando tempos de
borrasca e de desmazelo ao nível de limpeza e conservação dos
equipamentos e infraestrutura em geral.
Desde a tomada de posse do XIII Governo Regional que o
grupo parlamentar do PPM reivindicou medidas para trazer prestígio
aquele núcleo de pescas e à comunidade de Ponta Delgada.
O edifício do entreposto sofreu obras de aumento de
volumetria para que a máquina de gelo trabalhe em condições,
resolvendo um problema antigo e recorrente de falta de gelo que
trazia constrangimentos aos pescadores.
A máquina trituradora de engodo foi deslocalizada do interior
do entreposto para um telheiro exterior construído com o intuito de
melhorar as condições laborais dos pescadores.
Foi contratada a meio-tempo uma funcionária para garantir as
condições de limpeza das instalações e fornecimento de gelo.
Estão a ser construídas mais casas de aprestos para
acompanhar o aumento do número de lanchas profissionais
residentes neste porto.
O projeto das luzes de enfiamento da barra foi encontrado
arquivado pela LOTAÇOR, mostrando logo o (des)interesse que
havia pela segurança dos pescadores. De momento já foi
desarquivado e está em fase de averiguação final pelo Instituto
Hidrográfico, com correções dos graus dessa sinalização marítima,
para se proceder à sua instalação.
Ainda em jeito de desmentido das declarações do deputado
José Pacheco, um dia antes da sua nota de imprensa – 25 de julho –
relativa ao Porto de Ponta Delgada e o alegado não aparecimento
do senhor Secretário Regional do Mar e das Pescas na ilha das
Flores, esteve esse mesmo Secretário e a senhora Delegada do Mar
e das Pescas das Flores reunidos com o representante da
Associação de Pescadores e Armadores Florentinos e depois com os
três deputados eleitos pelo círculo eleitoral da ilha das Flores,
mostrando abertura com todas as forças políticas eleitas por esta
ilha e intenção de melhorar as condições de trabalho e desempenho
do setor das pescas na ilha das Flores, como a nível regional.

Contudo, existem ainda vários projetos de valorização daquele
núcleo que têm que ser realizados mas muito já foi feito, em menos
de 2 anos, mesmo na conjuntura difícil que estamos todos a
atravessar, tudo em prol dos utilizadores daquele mesmo local e de
outros que o visitem.