Preservar é valorizar

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Há não muitos meses defendi publicamente não estar demasiado preocupado com os turistas chegarem ou não ao Faial – porque fazendo fé no Governo, S. Miguel transbordará para as restantes ilhas – mas muito mais com o facto de não estarmos preparados para tal. E quando digo preparados, refiro-me concretamente à nossa oferta. Temos capacidade para manter ocupado quem nos visita independentemente das condições climatéricas? Estou em crer, aliás tenho a certeza, que não!
Questiono amiúde quem nos visita, quem cá vive e até operadores turísticos, acerca do conhecimento que têm ou das visitas que fazem ao Museu da Horta. Muito mais vezes do que esperaria a resposta vem na forma de pergunta – onde é o Museu da Horta?
É estranho que, até pela localização privilegiada que o mesmo tem na nossa cidade, haja tamanho desconhecimento da sua existência, e mais ainda do que ele alberga… A realidade é que o Museu da Horta, bem como a casa Manuel de Arriaga, são espaços “mortos”, com pouca relação com a comunidade e com um paupérrimo trabalho de preservação de espólio.
No caso específico da Casa Manuel de Arriaga, o que está à vista de todos é o abandono a que foi relegada por estes Governos, que se acham a maior sumidade no que toca à cultura, até porque há muito nos impingem a ideia de que a cultura é algo que a esquerda releva…
No caso concreto, o que espera quem a visita, é uma série de equipamentos que não funcionam, impedindo portanto que a exposição seja uma experiência completa e enriquecedora… Percebe-se em minutos que aquilo foi montado à pressa para uma inauguração oportuna e depois a preservação e crescimento da mesma ficou para uma 2.ª fase.
No que diz respeito ao Museu da Horta, que alberga uma exposição única no mundo de modelos em miolo de figueira, que vão do edifício da Sociedade Amor da Pátria a réplicas de barcos que serviram o arquipélago ou mesmo a registar uma diversidade de artesãos que se podiam encontrar na ilha do Faial, é triste perceber que a mesma se encontra amarelecida, e que os mecanismos que a animavam há muito deixaram de funcionar. Pergunto, o que foi feito para preservar este património que lhes foi doado? Pergunto mais, e o espólio que frequentemente lhes é legado por inúmeros Faialense que lhes concedem bocadinhos da nossa história? E os dentes de elefante encontrados na nossa Baía, cujo trabalho jornalístico Tesouros da Baía da Horta da nossa Susana Silveira bem divulgou – disponível em http://videos.sapo.pt/fJ6ppVuCzZPb6odu7J90 – por que motivo nada é feito para que possam ser conhecidos por quem nos visita, ou melhor, por quem vive cá?
Isto leva-me ao Museu dos Cabos Submarinos cujo espólio se encontra no dito Museu da Horta, que poderia ser mais um polo de interesse na nossa oferta e que não é minimamente estimulante porque não é como os museus que se querem “de hoje”, dinâmico e interactivo.
Sempre achei que necessitaríamos de ter a nossa oferta estruturada, bem divulgada e portando impulsionadora da economia. Infelizmente chego à conclusão que o principal não está a ser feito e isso é a Preservação do Património. Os responsáveis por estas estruturas prestam um péssimo serviço à comunidade, à ilha e em última análise aos Açores ao não garantirem sequer a longevidade do património.
A indústria cultural é uma mais-valia. O investimento cultural é isso mesmo, um investimento. Mas não valerá a pena se em tempo útil não acautelarmos o que nos distingue, o que nos permitirá oferecer experiências únicas, diversificadas e estimulantes. Depois disto, então… haverá ainda um longo caminho a percorrer.

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