Projeto de Requalificação do Porto da Horta – Entidades faialenses apresentaram preocupações ao projetista

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Numa reunião promovida pela Portos dos Açores, S.A., as entidades faialenses com interesse no projeto de requalificação do Porto da Horta tiveram a oportunidade de expor as suas preocupações ao projetista e de esclarecer as suas dúvidas.
Neste sentido, o Tribuna das Ilhas foi ouvir a Comissão Municipal dos Assuntos do Mar (CMAM), a Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) e o Clube Naval da Horta (CNH) sobre a sua posição e esclarecimentos obtidos neste encontro.

No seguimento da reunião promovida pela Portos dos Açores, S.A. já cerca de uma semana, com entidades oficiais e o projetista do projeto de “Requalificação do Porto Comercial da Horta”, o Tribuna das Ilhas foi ao encontro de três instituições de relevo para o setor marítimo e económico do Faial.
Em representação da CMAM, José Leonardo Silva salientou o facto de haver um esforço para responder às preocupações das instituições e de todos os faialenses quanto a este complexo processo.
O presidente da CMAM referiu em conferência de imprensa que algumas das preocupações apresentadas pela Comissão são relativas às águas paradas, ao espaço da boca, que são 50 metros, e o facto de este investimento não vir “quartar” o futuro da ilha.
Segundo José Leonardo as respostas obtidas do projetista são “positivas” no sentido de “avaliarem as questões e de as melhorar em relação ao futuro”, pelo que julga haver “condições de realizarmos a obra”, mas apenas após estarem asseguradas todas as resoluções das preocupações apresentadas.
Já a CCIH avançou em comunicado de imprensa que, após ouvir as reservas dos empresários e das entidades locais, a empresa portuária, para além de apresentar respostas, “assumiu alguns compromissos para o futuro”.
As reservas da CCIH passam pela “instabilidade no plano de água dentro do porto da Horta, nas questões da operacionalidade e da segurança, nos efeitos nefastos que as movimentações das aguas poderiam causar no porto comercial, nas possíveis águas paradas que podem ocorrer principalmente na nova bacia sul do porto pós-obra, a boca de 50 metros de entrada e na falta de integração do projeto com a restante parte norte do porto e apenas consideraram que a instabilidade da marina norte ficaria bem acautelada com a realização deste tipo projeto”.
Assim a Câmara do Comércio destacou os estudos a realizar sobre as movimentações das águas no interior da bacia sul do porto e os seus efeitos no porto comercial e o impacto ambiental e a aquisição de um novo equipamento travel lift com capacidade para 75 Ton muito superior a atual capacidade do equipamento existente no porto, de 20 Ton.
De acordo com a CCIH, a Porto dos Açores comprometeu-se ainda a tomar medidas e encontrar soluções imediatas para o caso de surgirem alterações no estudo feito nesta obra da bacia sul e a monitorizar a entrada do mar norte aquando da execução da obra.
Relativamente aos navios de cruzeiro, a Portos dos Açores entendeu que “esta obra não condiciona a entrada deste tipo de navios de maiores dimensões, uma vez que também já presentemente, por vezes, a manobra dos mesmos é condicionada pela dimensão do porto atual”, adiantou a Câmara do Comércio.
No entanto, “foi-nos garantido pelo engenheiro do projeto que nada impede, no futuro, que se possa fazer obras com o objetivo, porque da forma como este projeto foi feito, em nada inviabiliza futuras obras com esta perspetiva e também esta ampliação da marina em nada compromete a existência de futuro de outras atividades económicas no porto”, revelaram.
Neste sentido, “a CCIH compreende e é favorável que se possa realizar este investimento para ilha do Faial nos moldes previstos e no timing definido para o mesmo”, afirmam, sustentando que “este tipo de investimento não só permitirá ser gerador de mais emprego para a ilha do Faial, como promoverá ainda mais a marina da Horta nos diversos mercados internacionais, potenciando de certeza o cluster do mar que já é uma realidade na Horta”.
Refira-se que anterior a esta reunião a CCIH realizou diversoss encontros de trabalho com a Mesa do Turismo e Assembleias Gerais e ainda uma reunião com um conjunto de personalidades convidadas com muita experiência sobre o mar que “realçaram o papel determinante para cidade, para a ilha e ainda o seu papel incontornável do desenvolvimento da atividade económica privada e pública”.
Dessa reunião resultou, para além das já existentes, a preocupação com “os constrangimentos que a obra em si poderia trazer também no futuro em termos de reflexão de ondulação para o porto comercial e ausência de espaço na obra para sector do turismo cruzeiro”.
Por sua vez, o presidente da Direção do CNH destacou ao Tribuna das Ilhas a sua “preocupação sobre o efeito do mar refletido na Doca e sobre as eventuais consequências da não circulação da água na vasta área de “mar fechado” que o projeto cria” e enfatizou a “necessidade imperiosa de ser estudado, nomeadamente com mar norte, o efeito sobre a bacia Sul do mar que bate na doca Norte”.

 

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