Reflexão sobre a atualidade

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A segunda volta das eleições presidenciais francesas realizou-se no passado Domingo, dia 7 de maio. A Senhora Le Pen não ganhou, o que foi positivo, mas contabilizou cerca de 11 milhões de votantes, o que é preocupante.
O Senhor Macron, antigo ministro de Hollande e ex-membro do PS francês, que se assume como “centrista” e defende, em toda a linha, a política neoliberal que se pratica, de forma violenta, na União Europeia, foi eleito Presidente da Republica Francesa. Pensando no futuro da Europa e na urgente necessidade de se encontrarem políticas que apontem para a verdadeira construção de uma União Europeia de Países Soberanos que visem um desenvolvimento comum harmonioso e sem domínios, não se pode nem pensar, nem dizer, que a eleição de Macron seja uma boa notícia.
O drama que se viveu foi o facto de a 2ª volta das eleições presidenciais francesas serem disputadas entre uma candidata originária de um movimento fascista, racista e xenófobo e um candidato que representa o neoliberalismo puro e duro criado e imposto pelo grande capital financeiro internacional. As razões desse facto são complexas e profundas, mas radicam na progressiva cedência que sectores políticos europeus, que se definiam como sociais democratas e como defensores do Estado Social, foram fazendo, muito especialmente depois do aparecimento, nos anos 90, da chamada “3ª via” do “trabalhista” Blair, que mais não foi do que a rendição do chamado Partido Socialista Europeu à direita dominadora, associadaao grande capital financeiro, e orientada por uma Alemanha que nunca deixou de ter pretensões de domínio hegemónico.
A eleição de Macron irá trazer, por algum tempo, um novo alento aos ocupantes e mandantes da máquina da atual União Europeia, que cada vez mais funciona como uma estrutura de gestão de um espaço constituído por poucas economias fortes, que tratam as restantes com meros protetorados. A EU e a Zona Euro visam, cada vez mais, impedir que os chamados países do Sul e do Leste se possam desenvolver, para assim cimentar o domínio existente.
Com este quadro há que continuar, com lucidez, a luta por profundas transformações políticas na Europa.
O Papa Francisco visitará o Santuário de Fátima nos próximos dias 12 e 13 de maio. Este acontecimento religioso tem certamente grande significado para todos os católicos, facto esse que eu respeito integral e profundamente. Entretanto o Governo da Republica decidiu, quase em cima do acontecimento, dar tolerância de ponto à Administração Publica no dia 12, 6ª feira. Essa atitude, de pequeno efeito na afluência de fieis às festividades, tem gerado alguma polémica. Na minha opinião qualquer posição sobre essa matéria teria que ter sido pensada mais cedo e ter procurado ter uma abrangência que incluísse centenas de milhares de trabalhadores de outos sectores, para além da administração publica. Feito assim cheira muito a medida inspirada pela proximidade de eleições.
No caso do Governo Regional dos Açores, que também decretou tolerância de ponto, a medida é ainda menos compreensível. Não duvido que muitos conterrâneos nosso vão a Fátima por estes dias. Ouço falar em grupos de peregrinos que enchem aviões. Tenho, entretanto, a certeza que esses cidadãos vão pela sua fé, vão por vários dias, prepararam a deslocação com tempo e que essas idas nada têm a ver com a tolerância tardia de ponto que foi decretada.
A atualidade internacional, nacional, regional e local impelia-me a escrever muito mais, mas, não sendo tal possível, continuarei neste “cesto da gávea” a “vigiar” a vida e a emitir as minhas opiniões.
Até daqui a 15 dias!

Horta, 10 de maio de 2017

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