Reflexões Crónicas – Uma visita guiada a 1767

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No passado dia 8 de Março – data do nascimento de António José de Ávila (em 1807) – foi lançado, no âmbito das comemorações do Dia da Freguesia da Matriz, o opúsculo «matriz desta Villa de orta»: uma visita guiada a 1767, da minha autoria, que regista a conferência proferida há um ano na mesma ocasião.
Quando me foi lançado o repto para fazer essa apresentação propus de imediato o século XVIII e a relação da História com o Património, as áreas em que me estava a começar a debruçar. Mergulhei no tema e andei a explorar as hipóteses que tinha de, em cerca de 20 minutos, conseguir fazer um percurso minimamente abrangente dentro desta área e cronologia, tentando ao mesmo tempo que fosse interessante e cativante para o público. A versão final apresentada acabou por ser uma visita guiada pela freguesia – que corresponde grosso modo ao centro histórico da cidade –, escolhendo o ano de 1767 por ser há precisamente dois séculos e meio. Além de conduzir a assistência pelas ruas da cidade, então ainda vila, explicando o que existia e o que hoje resta, tive também a preo-cupação de procurar imagens de gravuras ou peças de arte que pudessem não só ilustrar o que era dito como divulgar património pouco ou nada conhecido. Pelas reacções no Faial e em Lisboa (repeti lá esta e outras apresentações, a pedido de vários faialenses lá residentes), creio que o resultado foi positivo e que o público se envolveu com a apresentação.
A publicação que agora foi dada à estampa corresponde a uma versão revista e adaptada para ser lida, mas contendo também uma forte componente de relação com o Património (fotografias de edifícios ainda existentes, gravuras antigas, peças de arte, etc.) e também algumas fotografias actuais ao longo do texto, permitindo ao leitor situar-se no espaço actual enquanto lê a narrativa sobre o século XVIII. O objectivo é que o texto tanto possa ser lido de fio a pavio como apenas parcialmente (as imagens, por exemplo, têm pequenos textos de contextualização associados), ou ainda utilizado como guia para um percurso real feito pela rua, em busca do que lá é referido e de outros vestígios que possam ter chegado dessa época.
Este foi, para mim, um exercício importante, até no âmbito do projecto académi-co que tenho em curso (precisamente sobre este tema), mas também um ensaio para outros que possam seguir-se, utilizando um modelo semelhante, mas com um conteúdo mais abrangente. Para isso é necessário perceber a reacção do público e, para tal, fico à espera que me façam chegar questões, dúvidas, críticas e ou sugestões (já recebi algumas e são todas importantes para poder fazer o trabalho evoluir).
Um último apontamento, já referido nos devidos locais, mas que nunca é demais frisar, de agradecimento à Junta de Freguesia da Matriz (equipas do mandato anterior e do actual), aos seus funcionários e também aos designers que permitiram o opúsculo na forma como foi agora editado. 

hortahistorica@gmail.com

Veja-se: Tiago Simões da Silva, «Matris desta Villa de Orta»: uma visita guiada a 1767, Horta, Junta de Freguesia da Matriz, 2018.

Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

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