Os jovens de hoje

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TI

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Ao longo dos últimos anos fomos invadidos por notícias, que nos deixaram incrédulos, num futuro incerto. O Brexit, a eleição de Trump, as ameaças populistas em vários Estados-Membros da União Europeia, sugerem um retrocesso na evolução da sociedade europeia e mundial. Paradoxalmente, caminhamos para um futuro de rápido desenvolvimento tecnológico em que muitas profissões serão substituídas por robots. Ainda que correntes protecionistas e nacionalistas se instalem, a velocidade da globalização, o desenvolvimento da sharing economy ou dos digital jobs não vai abrandar e portanto nenhum país conseguirá sobreviver, evoluir e desenvolver-se alheado do Mundo. Nestas circunstâncias de surpresa e novidade, qual é o nosso papel na sociedade? O que podemos esperar da mudança rápida em áreas como o mercado de trabalho, a educação ou o acesso à habitação? Afinal, o que é que queremos?
A nossa geração, nasceu num contexto de liberdade, de democracia, de direitos adquiridos, de acesso à educação generalizado, valores pelos quais a geração anterior lutou e que nós herdámos. Hoje a informação circula sem grandes barreiras; estamos sempre ligados por smartphones e tablets; viajamos para todo o lado… então, o que nos falta? Apesar desta grande revolução da nossa sociedade, há determinadas coisas que, eventualmente, queremos tal como a geração anterior. Todos desejamos ter um emprego. Mas, queremos um emprego fixo, para toda a vida, como na geração dos nossos pais? Será que preferimos viajar por todo o lado, e, portanto, comprar casa e carro deixou de ser uma prioridade? Aceitamos ficar em casa dos nossos pais até aos 30 porque ter casa própria deixou de ser um objetivo de vida ou tornou-se mais difícil do que na geração anterior? Vemos que não há uma resposta concreta à pergunta “o que queremos?”. Provavelmente, queremos apenas ter oportunidades de realização, de sermos bem-sucedidos neste novo paradigma.
Esta problemática das expectativas, de oportunidades e das concretizações/realizações leva-nos à segunda pergunta. A forma como a nossa geração se vai adaptar a toda esta mudança no mercado de trabalho, com a automação e a introdução de robots, a forma como queremos trabalhar, ou até a segurança laboral serão desafios dos quais não podemos escapar. E é a preparar e antever este futuro próximo que nos devemos focar e exigir, daqueles que nos representam, respostas que assegurem e se materializem. O tempo não volta para trás, bem pelo contrário. Urge, por isso, adaptar, educar e apetrechar o capital humano para esta nova realidade. Se caminhamos para uma sociedade cada vez mais robotizada, talvez faça sentido reformar o sistema educativo e desenhá-lo à imagem do futuro. Neste novo quadro educativo, por que não introduzir a disciplina de “programação” nos currículos escolares dos vários níveis de ensino?
Resta-nos a primeira pergunta, sobre o papel da juventude nesta sociedade sempre em mudança. Se sabemos o que queremos e o que fazer para concretizar as nossas ambições, falta agora definir uma estratégia de longo-prazo que inclua todas estas dimensões que vão da educação à saúde, da escassez dos recursos ao desenvolvimento sustentável, da terciarização à automação/robotização. Nesta definição de estratégia devemos todos contribuir. Contudo, é necessário primeiro garantir que esta digitalização da sociedade chega a todos, para que a tecnologia esteja também ao serviço da participação social dos jovens neste processo de transformação.