Início Artigos de opinião Luís Paulo Alves Relançar a Europa: Uma visão alternativa para o futuro

Relançar a Europa: Uma visão alternativa para o futuro

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A Europa está em perigo. A recessão tornou-se o status quo em muitos países europeus e a austeridade está a minar o modelo social europeu. As fundações da União Europeia (UE) que têm sido construídas com sucesso durante os últimos 50 anos estão ameaçadas em cada vez mais países europeus.

Isto não é aceitável. A UE é o mais notável projeto político do século passado, tendo possibilitado um período prolongado de paz sem precedentes, democracia, cooperação e prosperidade na Europa. Contudo, agora, perigosamente, estamos a deixar os nacionalismos, o euroceticismo e o populismo crescer. Para muitos povos a Europa é hoje sinónimo de desperdício de dinheiro público ou de austeridade cega imposta por tecnocratas. A crise e as respostas dadas criaram perigosas divisões entre ricos e pobres, países e regiões e não podemos deixar o nosso continente fragmentar-se ou dividir-se num sul pobre e num norte rico.

É hora de agir e mostrar que é possível uma alternativa, socialmente mais justa e economicamente mais viável, que o papel da Europa é importante e que para países como Portugal é mesmo decisivo, por isso vale a pena lutar pela Europa. Há alternativa! Não nos resignamos. Por isso, lançámos, como socialistas e sociais democratas europeus, um amplo debate na Europa sob o lema, “Relançar a Europa”, para envolvermos os cidadãos europeus no debate essencial que mais lhes importa – como trazer a prosperidade europeia de volta e sair da crise.

Trata-se de reunir os jovens, os políticos, académicos, cidadãos e especialistas para falar sobre a Europa que queremos e que precisamos; dialogar e ouvir os cidadãos num debate alargado, envolvendo toda a sociedade, jovens e idosos, politicamente ativos, ou apenas interessados ou até desiludidos, com experiências da Europa positivas ou negativas. Juntos, podemos devolver a Esperança à Europa. Juntos, podemos construir um roteiro para um futuro melhor para todos.

Nós, os Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, há muito que exigimos uma mudança de direção e temos planos ambiciosos para o emprego e para a inovação, por uma melhor regulação dos mercados, por mais solidariedade, para que os cidadãos possam viver dignamente as suas vidas e ter esperança no futuro. Precisamos de um equilíbrio diferente entre o mundo da economia, as preocupações sociais e os desafios ambientais. O próprio presidente da república na mensagem de ano novo apoiou o que há muito defendemos, como o urgente crescimento económico, uma Europa mais coesa (com benefícios nacionais e regionais) e mais participação do Governo nas soluções europeias e em particular na melhoria das condições do nosso ajustamento.

Definitivamente, a política europeia tem que estar à altura dos acontecimentos para manter a esperança por um projeto europeu justo e com futuro. A Europa tem que abandonar o foco obsessivo nos mercados para se centrar na resposta às preocupações dos cidadãos europeus. Esta é a única maneira para sair da crise e o único caminho para a Europa sobreviver e prosperar no futuro.

Por isso, acreditamos que a solução não é menos Europa, mas uma melhor Europa. Uma Europa mais perto dos cidadãos, que não nos transforme apenas em vítimas da austeridade, mas que seja antes uma Europa construída por todos, em que todos possam participar na construção de um novo futuro. Que o ano de 2013, Ano Europeu dos Cidadãos, seja o ano em que os cidadãos da Europa a resgatem de um caminho incerto e construam um futuro de esperança e de vida com dignidade para todos, em todos os estados membros e em todas as regiões, é pelo que todos nos devemos empenhar.

 

 

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