Resultado injusto num concurso da Semana do Mar

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Tal como em edições anteriores da Semana do Mar contava com um concurso que tentava incentivar a reciclagem premiando a criatividade dos estabelecimentos na elaboração dos caixotes de lixo. O resultado do concurso tem ficado abafado, e só após duas semanas da festa ter finalizado, soube-se que tinha ganho um estabelecimento cujos caixotes de lixo estavam acompanhados por animais marinhos junto a uma mensagem que incentivava salvar a biodiversidade dos oceanos. Parece tudo muito bonito se não fosse por:
1) Este estabelecimento não parecia estar sensibilizado com os problemas do plástico na fauna marinha, e possívelmente só fez os caixotes porque queria ganhar o concurso. A prova disto é que os produtos que vendiam iam acompanhados de palhinhas e outros objetos de plástico descartável.
2) Os próprios animais não eram o caixote, uns pequenos cestos acompanhavam o que mais parecia ser uma instalação artística, sem identificação alguma da sua função, que uma estrutura para recolher o lixo reciclável.
3) Sendo preciosista e sabendo como a ingestão de plásticos por parte dos animais marinhos é um problema de gravidade, não percebo qual pode ser o interesse em premiar uma ideia cuja originalidade é dar lixo a animais marinhos.
Por outro lado, os caixotes do Ratão do Bambuzal estavam muito melhor trabalhados artisticamente (todos reconheceram as personagens rapidamente), também foram feitos com material reutilizado e eram tão originais que toda a gente que passava por lá parava a tirar fotografia. Portanto, a sua criadora não só teve uma ideia brilhante dando o lixo a personagens públicos que possivelmente o merecem, como também fez de forma muito inteligente educação ambiental sobre a reciclagem junto de uma crítica política.
Sem dúvida, o Ratão do Bambuzal tem sido um exemplo a seguir por todos quanto à sensibilização no uso de plásticos desde a sua existência; desde o ano 2013 usa o copo reutilizável, ao qual a Semana do Mar só aderiu este ano. Além disso, as pizzas e outros produtos são distribuídos em papel e as bebidas não são servidas com nenhum tipo de palhinha (mesmo falando de caipirinhas e mojitos).
Com este resultado parece-me que não há verdadeira sensibilidade por parte da Câmara da Horta no problema de fundo que é principalmente reduzirmos e seguidamente, reciclarmos; levam a cabo ações de sensibilização sem ser fiéis ao princípio da ação.
Se realmente queremos combater o problema do lixo marinho temos que ser coerentes naquilo que fazemos. Sendo assim, deixo junto a minha indignação as fotos, mesmo desfocadas acho dá para perceber o assunto.

 

Yasmina Rodríguez

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