Santo Amaro restaura Santa Parentela do século XVIII

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A Paróquia de Santo Amaro está a restaurar uma Santa Parentela do século XVIII, única nos Açores, e uma das poucas completas em Portugal.

Composta pelas imagens do Menino Jesus, Nossa Senhora, São José, São Joaquim e Sant’Ana, a Parentela foi elaborada na oficina de Manuel Dias, que no Período Joanino era conhecido como o principal escultor de arte sacra de Lisboa.

“Esta Santa Parentela é um caso único nos Açores. Não é possível colocar preço a este conjunto de imagens porque não temos conhecimento de outra Parentela do Manuel Dias que tenha sido vendida em Portugal”, explica o Padre Luís Dutra, acrescentando que “estas imagens eram normalmente adquiridas por igrejas com avultados meios. Santo Amaro era um lugar muito pobre e, por isso, não sabemos quem a doou. A nossa intenção é conservá-la o melhor possível”.

Apesar da qualidade excecional, o conjunto de cinco imagens encontrava-se esquecido por baixo do altar-mor da Igreja de Santo Amaro em avançado estado de degradação, o que levou o Padre Luís Dutra a procurar meios financeiros para avançar com o restauro.

O trabalho de recuperação da Santa Parentela iniciou-se com o restauro do Menino Jesus e prosseguiu com o de Nossa Senhora. A primeira foi restaurada com as verbas angariadas no Beija-pé, enquanto a de Nossa Senhora beneficiou de uma doação única: “As imagens andaram durante décadas na Igreja a ser mudadas de lugar. Nos anos 30 do século passado, aquando da construção do altar da morte de São José, as imagens foram sendo relegadas para o esquecimento. Neste momento estavam fechadas por baixo do altar-mor num espaço que não era arejado”.

Em fase de restauro encontra-se a imagem de São José. O trabalho, que deve ficar concluído até final de março, está a ser desenvolvido por Marta Bretão, à semelhança do que aconteceu com as outras duas imagens. Com atelier em Angra, Marta Bretão é uma das principais conservadoras de arte sacra do país e que já foi premiada a nível europeu. Aliás, a sua relação com o Pico e com a arte sacra da ilha não é de agora. Aquela profissional foi responsável pelo restauro de imagens icónicas como a do Bom Jesus Milagroso do Santuário de São Mateus, além de Santa Maria Madalena, São Pedro e São José, que se encontram na Matriz da Madalena. O maior trabalho realizado em estatuária no Pico foi o restauro da Senhora do Rosário do século XVI, inaugurada em outubro passado na Ermida da Criação Velha.

Até ao momento, no restauro das duas imagens da Parentela de Santo Amaro foram investidos três mil euros e a de São José deve custar entre 1700 e 2000 euros. Um valor muito próximo da estimativa do restauro das imagens de Sant’Ana e São Joaquim que, faseadamente, seguirão para o Atelier de Marta Bretão.

Apesar do avultado investimento, o padre Luís Dutra assume a importância de “dignificar” as imagens, colocando-as em lugar de destaque na Igreja de Santo Amaro.

Este investimento no restauro da Santa Parentela é recebido com enorme agrado pela Câmara Municipal de São Roque do Pico que reconhece a importância de se preservar a arte sacra de maior relevância do concelho.

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