Sistema Educativo Regional – Professores precários dos Açores manifestam-se por melhores condições de trabalho

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Uma dezena de professores precários faialenses associaram-se aos colegas das ilhas de São Miguel e Terceira e concentraram-se junto ao parlamento açoriano para reclamar o cumprimento da lei e de “uma resposta às verdadeiras e permanentes necessidades do sistema educativo regional”.
Esta “Concentração pacífica de Professores” teve como tema de ordem “Professores qualificados, disponíveis e desempregados”.

Uma dezena de docentes precários no Faial, juntaram-se esta segunda-feira, dia 16 de setembro, numa “concentração pacífica de Professores” em frente à Assembleia Legislativa Regional dos Açores, que teve como tema de ordem “Professores qualificados, disponíveis e desempregados”.
Os docentes faialense associaram-se assim a professores da Terceira e a cerca de três de dezenas de professores de São Miguel, que, neste mesmo dia, entregaram no Palácio de Santana uma carta aberta a alertar o Governo Regional para a realidade dos Educadores de Infância e professores que “querem trabalhar e prestar as suas funções por forma a colmatar as necessidades existentes nas diversas escolas e terem a devida estabilidade”, uma vez que, na sua maioria, se encontram “há mais de 15 anos com contratos sucessivos e sem certezas de trabalho”.


A carta que contou com o contributo de docentes de todas as ilhas, e a que o Tribuna teve acesso, denuncia que “existem docentes contratados com 50 anos de idade e 23 anos de serviço e com 47 anos de idade e 20 anos de serviço, que a média de um professor que celebra um contrato a termo incerto na Região Autónoma dos Açores é de, no mínimo, 14 anos de serviço e 44 anos de idade” e que “as turmas são numerosas e os alunos não têm apoio individualizado qualificado de forma equitativa e de acordo com as suas necessidades”.
O documento dá a conhecer ainda que “os professores de educação especial são substituídos por professores de apoio educativo nas diferentes disciplinas e que não se diferencia o apoio educativo do apoio de educação especial e que o professor de apoio educativo faz substituições em vez de dar apoio ao aluno”.
A carta aponta também, que “há escolas que contratam sucessivamente docentes para um grupo disciplinar, não se verificando a abertura de vagas para suprir de facto estas necessidades”.
Neste contexto os docentes defendem no documento que “o professor é uma pedra de sustentação no sistema educativo, um garante da normalização das aprendizagens e da significação das experiências”, garantindo que “cada docente em situação de contrato a termo certo ou de desemprego, apesar de qualificado, não deixa de fazer o seu trabalho, de viver com e para cada um dos seus alunos, de pugnar pela divulgação dos ideais de igualdade e de cidadania tão essenciais ao nosso mundo”, lê-se.
Para os professores “é tempo de se olhar para este corpo docente, tratado como de segunda, mas arreigado à primeira linha da defesa e da oportunidade escolares, e permitir aos seus membros que também se sintam cidadãos de direito nesta Região que se quer de direito, obtendo do sistema nada mais do que aquilo que diariamente lhe dão: estabilidade”, que no seu entender é possível de ser atingida “com o cumprimento da lei e com uma resposta às verdadeiras e permanentes necessidades do sistema educativo regional”, referem os professores na referida carta.

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