SOBRE A SATA E SOBRE O AEROPORTO DA HORTA

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1 Com o forte e verdadeiro título de “SATA volta a enganar passageiros do Aeroporto da Horta”, o jornal Incentivo do passado dia 19 de agosto relata com pormenor o que aconteceu com os passageiros do voo da SATA Internacional que era suposto ter aterrado na Horta às 16h40 do dia 17 de agosto e que foi obrigado a divergir para a ilha Terceira devido às condições atmosféricas (baixa visibilidade) na Horta. Mesmo depois de terem melhorado as condições atmosféricas que impediram a operação, e depois de cerca de sete horas estacionado na Terceira, o avião voltou a Lisboa sem vir à Horta, quando possuía as condições meteorológicas para o fazer. Independentemente das questões técnicas e de tempo, objetivamente abordadas pela notícia daquele jornal, e como se tal já não fosse suficientemente grave e condenável, a SATA prestou, em cima disso, mais uma vez, um horrível serviço ao Turismo dos Açores, pela forma como “abandonou” à sua sorte os passageiros que vinham para a Horta nos aeroportos por onde andaram, sem informação e quase sem acompanhamento, como me foi relatado, com revolta, por quem estava nesse voo e que me garantiu que, na SATA, não vinha mais aos Açores! 2 Nos dias atuais, com a enorme panóplia de recursos de comunicação que as pessoas têm à sua disposição em tempo real, não se compreende como a SATA ainda não aprendeu que na comunicação com os passageiros (e com a Comunicação Social, já agora) o que tem de imperar é sempre a verdade. Se há um problema, o melhor é explicá-lo com verdade aos interessados. Não se pode é sistematicamente invocar justificações que, na altura em que são apresentadas, não são verdadeiras e só provocam revolta e condenação. Como demonstra exemplarmente a notícia a que temos vindo fazer referência, a SATA tentou enganar as pessoas com as justificações que deu para a ocorrência em causa. Para quê? Com que fim? Porque não veio ao Faial este voo em tempo útil quando houve oportunidade e condições meteorológicas para o fazer? Quero acreditar que na SATA não há nenhum gosto masoquista em se auto-prejudicar. Nem haverá sentimentos sádicos para infligir transtornos aos seus passageiros da Horta. Certamente há razões e fundamentos para as decisões que são tomadas: que com verdade se digam! De outro modo, a dúvida e a suspeição imperam, sobretudo por se repetirem vezes demais. E isso não é bom para ninguém! 3 É fácil concluir que a frota da SATA Internacional é curta para a operação que assegura, sobretudo no Verão. Como têm verificado na pele os passageiros, sobretudo do Faial e Pico, basta um atraso numa das ligações da manhã, que o voo da tarde entra logo em derrapagem. Um problema, seja ele de que natureza for, num voo dos três Airbus A320 que a SATA possui, tem logo e por regra implicações em cadeia. Sou dos que defende que a SATA é uma empresa estratégica para os Açores e que a sua missão é servir os açorianos de todas as ilhas nas ligações inter-ilhas, com o continente português e com os principais locais da nossa diáspora. Essa deve ser a sua prioridade e para a cumprir com qualidade e regularidade não devem faltar nem os meios, nem os equipamentos. É com profunda preocupação que vejo que este objetivo estratégico e essencial cada vez mais se dilui em opções que incluem a aquisição/aluguer de equipamentos e/ou a realização de charters para destinos que não nos dizem nada, e que não são mais do que rebuçados políticos usados em altura de eleições para encher, com dinheiros públicos, hotéis nalgumas ilhas. 4 Solteira ficará também a culpa do atraso de mais de um ano na implementação do projeto RISE no aeroporto da Horta. Aqui também a SATA e o Governo Regional tardaram em perceber a importância e o alcance daquela melhoria sobretudo para a operação em condições de baixa visibilidade. O que já não tinha poupado a SATA em sobrecustos resultantes da divergência e cancelamento de voos de e para a Horta motivados pela falta de visibilidade se já se tivessem realizado os testes e iniciado a implementação daquele projeto no que toca ao aeroporto da Horta? É que estava tudo pronto neste aeroporto para se ter começado com os testes há cerca de um ano. E um ano foi o tempo que a SATA e o Governo regional demoraram para se decidir em avançar! Só esperemos que agora não tenhamos de esperar mais um ano pelos outros… A implementação do RISE será decisiva e fundamental, espera-se, na redução dos cancelamentos no Aeroporto da Horta por razões de baixa visibilidade, que tem sido, nos últimos tempos, um dos fatores mais limitativos na operação aérea. 5Permanece, porém, sem solução o problema da penalização da pista do aeroporto da Horta devido à sua dimensão. É com grande apreensão que tenho vindo a constatar uma surda, insinuante e progressiva desistência de muitos faialenses na reivindicação da ampliação da pista do nosso aeroporto. Alguns deles até assumem que deixaram já cair a toalha da defesa dessa ampliação (que é muito difícil; que os tempos correm desfavoravelmente; que se calhar já não se justifica), enquanto, outros, habilidosa e cautelosamente, estão calados por servilismo político-partidário. Mas a verdade é que a necessidade de ontem da ampliação da pista do aeroporto da Horta está-se a transformar na urgência de hoje, com o crescimento da importância do turismo e, por consequência, do papel das acessibilidades na sua consolidação. Por isso, temos de nos unir cada vez mais e com mais força na reivindicação da sua concretização. E não vale a pena termos ilusões: não há que estar à espera da ANA-VINCI nem do Governo da República para que se avance na sua concretização. Se o Governo Regional não avançar, nada se conseguirá. Aliás, Carlos César, já tinha dado a solução há anos: “Caso a ANA-SA e o Governo da República não se disponham a avançar com a obra de ampliação da pista do Aeroporto da Horta, o Governo Regional a eles se substituirá e fará essa obra.” O problema foi que ele censuravelmente não cumpriu a sua promessa! Se temos Autonomia é também para que quem está mais perto de nós melhor nos compreenda e atenda às nossas reivindicações. Por isso, nas vésperas de um novo ato eleitoral nos Açores, sobretudo ao PS e ao PSD impõe-se falar muito claro sobre este assunto. Não queremos promessas repetidas e vazias de conteúdo. Queremos compromissos claros, datados e que integrem a responsabilidade própria de um futuro governo regional desses partidos nesta matéria. “Reivindicar do Governo da República e da ANA” isso, como já se viu, são promessas que o tempo se encarregou de provar que são vazias e nada trazem. Sabemos todos que este é um projeto ambicioso e caro. Mas é muito e cada vez mais necessário! Por isso, só quando um governo regional chamar a si a liderança do investimento (naturalmente agregando as parcerias quer do Governo da República, da ANA-VINCI e da Câmara da Horta) é que o mesmo poderá ter futuro. De outro modo, será areia para os nossos olhos e estratégia para mais uma vez nos enganarem! 22.08.2016

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