Também nos Açores os “neoliberais” não podem vencer

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Amplamente maioritária na União Europeia (UE), a direita conservadora conseguiu, um pouco por toda a UE e nas suas regiões, com a sua estratégia de austeridade extrema, piorar ainda mais a nossa situação económica e social.

 Só quando a recessão ataca forte é que os líderes conservadores percebem que os pactos de estabilidade também têm de incorporar o crescimento. Há elementos-chave de uma estratégia para o crescimento que têm de ser adoptados (e que foram discutidos em 1996-1997, quando a Europa sentiu a mesma necessidade), como são: o fortalecimento do mercado interno, mais financiamento para o Banco Europeu de Investimento para empréstimos às pequenas e médias empresas e mais recursos para investimento em infra-estruturas nos Estados-membros mais pobres. Os dois últimos atraem sempre muita atenção porque envolvem mais fundos, mas são instrumentos de políticas activas de emprego. Se são disponibilizados milhões e milhões para resgatar o sector bancário, só quem tudo submete à sua crença infinita nos mercados recusa a obrigação de o fazer também para as politicas de inclusão social e de investimento com efeitos produtivos. É o fundamentalismo de que até Manuela Ferreira Leite se queixa e de que o PSD tem sido um dos mais ortodoxos defensores em toda a Europa, que tem que ser afastado antes que estilhace económica e socialmente as sociedades europeias, como já sucedeu na Grécia.

A Europa pode mudar noutro sentido e os cidadãos parecem estar dispostos a incentivar essa mudança. Depois da Eslováquia, da Roménia, da Dinamarca e da Bélgica, os neoliberais estão a ser afastados e os povos querem novos caminhos de verdadeiras economias sociais de mercado, que não vivam apenas de austeridade, que não governem apenas com os olhos postos nos mercados, mas que governem para as pessoas, com uma nova agenda que promova crescimento e emprego sem os quais não teremos outra saída possível senão pela porta da miséria. Na França, François Hollande derrotou Sarkozy e pode haver uma nova esperança na Europa, apesar das dificuldades tremendas que há pela frente. No discurso de vitória, disse: “há povos que olham para nós e esperam que a austeridade acabe”, reafirmando que é necessário “dar à construção europeia uma dimensão de crescimento, de emprego, de prosperidade e de futuro” e enfrentar a austeridade, que “não pode mais ser uma fatalidade”. E acrescentou “Vocês são muito mais do que um povo que quer mudar, são já um movimento  que cresce por toda a Europa, e talvez pelo mundo, para levar os nossos  valores, as nossas aspirações e as nossas exigências de mudança”. 

E também nas Regiões se está a dar um sinal para afastar quem apadrinha esta austeridade. No dia 13 de Maio o partido da conservadora Angela Merkel, chanceler alemã, obteve a mais pesada derrota de sempre no Estado mais populoso do país, a Renânia do Norte-Vestfália. Esta direita neoliberal onde o PSD foi militar já não é solução. Faz agora parte do problema europeu.

Há oitenta anos também, em plena depressão económica, Franklin Roosevelt venceu Herbert Hoover e para relançar a economia americana avançou com o seu New Deal, calando a boca aos banqueiros e a todo o sistema dominante que também recusava ser possível sair da situação dramática da altura pela via do estimulo da economia, do emprego e da criação de riqueza. São respostas ambiciosas e solidárias como estas que num momento em que há sinais de desintegração, a Europa tem de encontrar para progredir. Só o conseguiremos em conjunto, e com iniciativas de crescimento que potenciem a nossa economia.