UCI da Horta apresenta menor taxa de mortalidade do país

0
9

Rui Suzano, médico e responsável clínico pelo serviço de Cuidados Intensivos do Hospital da Horta foi um dos oradores do Seminário sobre políticas de saúde e cuidados paliativos que se realizou segunda-feira na cidade da Horta.

Enquanto profissional da área considera o sistema de saúde regional, comparativamente com o Continente, bastante bom. “Importa saber se efectivamente, para aquilo que as pessoas estão dispostas ou podem pagar é um sistema sustentável. A questão que se coloca hoje em dia prende-se, essencialmente, com a sustentabilidade do sistema” – referiu o médico ao Tribuna das Ilhas.

No que ao Hospital da Horta diz respeito, Rui Suzano afirma ser um hospital que, de uma maneira geral, funciona bem e acrescentou que “podia funcionar melhor em termos de eficiência mas os médicos não estão vocacionados para o problema de rentabilização de recursos.”

Sobre a hipótese de se encerrarem os serviços de cuidados intensivos da unidade hospitalar do Faial, Rui Suzano refere que “se não houver dinheiro alguma coisa tem que ser feita… antes de fechar um serviço é preciso estudar os custos, ou seja, “empurrar o lixo para o quarto do vizinho não limpa a casa”, isto porque, quando se fecha um serviço não se despedem pessoas, continuam-se a pagar salários… as únicas coisas em que eventualmente se poupa são nas horas extraordinárias porque vejamos, o material clínico, se não for gasto cá é gasto em qualquer outra unidade e ainda temos o custo dos transportes para as evacuações.”

A unidade de Cuidados Intensivos do Hospital da Horta gasta em média 500 mil euros por ano, sendo alguns dos gastos imputáveis a outros serviços, valor que Rui Suzano considera bastante aceitável tendo em conta que os médicos da UCI prestam assistência a outros serviços do Hospital e a que os enfermeiros são os enfermeiros do serviço de urgência e que o valor gasto em horas extras é bastante diminuto.

“Somos extremamente cautelosos no consumo de material clínico e medicamentos bem como no que diz respeito aos critérios de internamento e alta” – acrescenta.

Em 2010 os internamentos neste serviço foram superiores em 10% quando comparativamente a 2009.

A taxa de mortalidade esperada nas UCIs nacionais é de 53%, no Faial a mortalidade observada é de 13%. “Para além da menor mortalidade observada em relação à esperada, temos índice muito baixo de complicações e, o que muito nos apraz, o nível de satisfação dos utentes é muito elevado bem como o reconhecimento dos nossos serviços por parte dos profissionais do hospital” – remata Rui Suzano. 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO