Um drama!

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1 A taxa de desemprego nos Açores continua a crescer, para infelicidade de muitos Açorianos. No último trimestre apurado (julho a setembro), elevam-se a mais de 21.500 os Açorianos que não têm emprego. Este é um número sem precedentes em quase quatro décadas de Autonomia.

E, pior, o que se verifica é que enquanto o desemprego a nível do País mostra ligeiros sinais de abrandar, nos Açores continua a aumentar, atingindo já os 17,7%. Isto é, por cada 100 pessoas nos Açores, 18 estão desempregadas.

2 Até agora a taxa de desemprego nas nossas ilhas foi sendo sempre desvalorizada pelo Governo Regional com o argumento de que ela era mais baixa do que a média nacional e era até inferior à registada na Região Autónoma da Madeira.

O drama é que, agora, até já nem essas justificações colhem: no último trimestre apurado a taxa de desemprego nos Açores ficou 2,1 pontos percentuais acima da média nacional e 0,4 superior à verificada na Madeira. Só a região de Lisboa regista mais desemprego do que os Açores. Deixamos de ser a segunda melhor região do país para sermos a segunda pior.

Comparativamente ao mesmo trimestre de 2012 o desemprego nos Açores assume contornos ainda mais dramáticos. Nos últimos doze meses, diariamente, mais oito açorianos – um de três em três horas – ficaram desempregados. Também nesta análise as estatísticas são implacáveis. Fomos a região de Portugal que mais desemprego registou: 11 vezes mais do que em Lisboa e 23 vezes mais do que no Norte, as outras duas regiões onde em termos homólogos o desemprego cresceu.

3  Perante estes números e o drama profundo que eles significam para milhares de concidadãos nossos que perderam a sua fonte de rendimento e, com ela, um dos direitos essenciais do Homem, que é o direito ao trabalho, o que disse o Governo Regional?

Pela voz de Sérgio Ávila, o Executivo considerou que este aumento do desemprego “está associado a um aumento da população ativa, ou seja, com mais pessoas a chegarem ao mercado de trabalho”.

E é este tipo de declarações e de justificações que verdadeiramente não se entendem. O que custa a um governante assumir um problema? O que custa a um governante assumir, com humildade, um erro, um insucesso? O que custa a um governante confessar que apesar das medidas tomadas, o desemprego está a aumentar nos Açores? Para quê este ridículo de encontrar uma desculpa e um culpado alheios? Antes, dizia o Governo, estávamos mal mas o Continente e a Madeira estavam pior. Agora que, infelizmente, já estamos pior que eles, arranjam-se umas justificações que, para além de ridículas, nem são absolutamente verdadeiras. Com efeito, a população ativa no 3º trimestre deste ano é idêntica à verificada em igual período de 2011 (apenas mais 171 indivíduos). A diferença, essa sim, como se vê no quadro, é muito significativa mas é no número de desempregados: 14 mil em 2011; 21.500 este ano. Portanto, a taxa de desemprego cresceu nos Açores não porque aumentou a população ativa mas porque falharam as políticas de combate ao desemprego e de criação de novos postos de trabalho. Não admitir nem perceber isso é não querer enfrentar o problema.

4Vivemos a este nível, nos Açores, um drama social sem precedentes, que afeta muitas famílias e muitos concidadãos nossos. O desemprego é um flagelo individual e coletivo e que exige de todos concertação e união para poder ser eficazmente vencido.

Mas a primeira condição para se poder enfrentar e vencer um problema é reconhecê-lo e falar verdade sobre ele. Infelizmente, não é isso o que tem feito o Governo Regional. Sabemos todos que o drama do desemprego não se ultrapassa com soluções mágicas nem de forma instantânea. Governo, empresas, sociedade precisam de convergir para lhe dar uma luta sem tréguas de forma a se poder construir uma nova esperança que ajude a tirar milhares de Açorianos do desemprego.

Estes nossos conterrâneos, que desesperam à procura de uma oportunidade de trabalho, mereciam mais respeito, mais verdade e mais empenho!

                                   25.11.2013

 

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