Um filme repetido

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1. O ano que agora começou, será marcado em Portugal – está já a ser marcado – por três eleições: para o Parlamento Europeu, a 26 de maio; para a Assembleia Legislativa da Madeira, a 22 de setembro e para a Assembleia da República, a 6 de outubro.
Embora as eleições na Madeira sejam regionais, a verdade é que a forte aposta que o Partido Socialista nelas está a fazer, dar-lhes-á uma dimensão e repercussão claramente nacionais.
Neste contexto, e embora todos os partidos políticos o neguem, a verdade é que já andam todos em campanha, com o Governo de António Costa à frente. As cerimónias de lançamento de primeiras pedras, de lançamento de concursos ou até mesmo de anúncio de intenções multiplicam-se de forma inusitada.
Tive a oportunidade de assistir pela televisão à recente cerimónia de assinatura do memorando de entendimento entre o Estado e a ANA — que gere os aeroportos em Portugal — sobre o futuro aeroporto do Montijo. E rapidamente concluí que estava a ver um filme repetido. Lá estava o modus operandi político de José Sócrates. Lá estava a mesma forma de fazer campanha: o mesmo tipo de cenários, a mesma montagem, as mesmas mensagens subliminares, o mesmo otimismo discursivo, o mesmo tipo de assistência. Até lá estavam quase todos os mesmos protagonistas políticos!!!
Decididamente, acreditar nesta forma de fazer política é mesmo não ter aprendido nada com o que aconteceu a Portugal em 2010-2011.
2. A nova administração da SATA, esquecendo algumas declarações iniciais imprudentes e quase patéticas, em boa verdade introduziu na comunicação da companhia com os seus passageiros uma nova postura: falar a verdade!
Em consequência disso, pareciam ter-se acabado os truques de linguagem, as falácias e as inverdades para justificar, por exemplo, voos que se cancelam ou que se adiam. Agora, e bem, parece-me, a companhia não foge em chamar as coisas pelos seus nomes, mesmo quando a razão dos cancelamentos é…não ter tripulação para realizar o voo!
Por isso, foi com algum desapontamento que li as declarações do Presidente da SATA aos deputados da Comissão Parlamentar de Economia da Assembleia Regional, a quem garantiu que “no período entre março e outubro deste ano haverá um aumento de 7% nos lugares disponibilizados nas ligações aéreas entre Lisboa e a Horta”, assegurando que “no Verão IATA 2019 (entre o último domingo de março e o último sábado de outubro) serão disponibilizados 81.650 lugares na rota Lisboa-Horta-Lisboa, mais 5.573 lugares do que os oferecidos em 2018, um crescimento de 7%, sendo que o aumento da procura deverá ficar pelos 4%,” concluiu o gestor.
Mais uma vez, um Conselho de Administração de uma Empresa Pública presta-se a assumir o papel de mandarete do poder político e, para lavar a cara de erradas opções e esconder limitações que não se querem assumir, não hesita em tentar mascarar a realidade. É que neste anúncio, apresentado como uma grande concessão que é feita aos faialenses, propositadamente, não é dito que esse aumento de lugares disponíveis por via de reforço de voos nos meses de abril, maio, setembro e outubro (facto, em si, positivo, se for acompanhado de uma verdadeira política de promoção da rota), acontece nos meses em que a Horta menos precisa, enquanto, teimosamente, a SATA e o Governo se recusam a reforçar o número de voos nos meses em que mais procura há. Alguém consegue entender estas opções?
Infelizmente, o novo Conselho de Administração da SATA está a querer repetir um filme que já vimos. Ainda por cima, com o mesmo patrocinador: o Governo Regional! É dose!!! 

13.01.2018

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