Uma questão de atitude

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As notícias dispersas sobre o orçamento de Estado, a última semana de campanha eleitoral nos Açores, o anúncio do agravamento fiscal, os resultados das eleições nos Açores, os rumores de crise na coligação governamental, fizeram com que a atribuição do Prémio Nobel da Paz à União Europeia tivesse passado quase desapercebido entre a maioria de nós. E, no entanto, esta distinção pertence uma pouco a todos nós cidadãos europeus co-construtores do projecto em que a União Europeia consiste.

O facto de esta nomeação não envolver qualquer controvérsia e, também por isso, não ganhar o sensacionalismo que conquista os títulos da primeira página dos jornais ou o tempo de antena de televisões e rádios, manteve a notícia discreta em todo o país o que é lamentável pois poderia ter constituído uma ocasião excelente para diminuir o défice de cidadania europeia.

Não obstante este registo absolutamente discreto sobre a atribuição do Prémio Nobel da Paz à União Europeia, alguns raros cronistas ousaram elege-lo como seu tema e, curiosamente, em sentidos diametralmente opostos: uns como um “prémio de fim de carreira”, outros como “voto de confiança”.

No primeiro caso, o discurso quase escatológico claudica perante a crise actual e, sem soluções para os seus diagnósticos ou alternativas para as suas críticas, apenas contribui para aprofundar a crise na eliminação de qualquer esperança e no adubar da depressão. Esquecem que a crise não começou na Europa, esquecem que a União Europeia tem condições para superar a actual situação de crise, continuando a ser uma das maiores economias do mundo, com cerca de 28% da quota mundial face aos 33% dos Estados Unidos, 10% da China e 9% do Japão. Demitem-se dos desafios da construção e da reconstrução porque, afinal, é sempre mais fácil destruir. São os profetas da desgraça que se multiplicam e proliferam em tempo de crise tal como acontece em Portugal, alimentando-se do desânimo e agravando-o, numa espiral depressiva.

No segundo caso, o Prémio Nobel da Paz é interpretado como distinção pelo projecto em curso e pelo melhor futuro que anuncia – princípio que preside a todas as nomeações do Nobel. Lembra-se então o valor da paz que constituiu o motor da construção europeia, na sequência de duas guerras mundiais que devastaram a Europa e do clima de guerra fria que se ia instalando. O desenvolvimento de um projecto de paz duradoira num projecto de livre comércio e pujança económica, num projecto de alargamento sucessivo e convergência social, num projecto de operacionalidade política e de progressivo federalismo, foi natural e necessário. Hoje – tenho-o dito repetidas vezes – a União Europeia é o projecto mais conseguido do ideal ancestral de uma humanidade maximamente ampla e una e exemplo que está a ser seguido em outros continentes.

Não há, porém, projectos lineares nem isentos de dificuldades, nem o da construção europeia, nem o do resgate do nosso país. A diferença na sua evolução está na atitude que adoptamos perante as dificuldades. 

 

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