
1. Esta nossa aventura autonómica de 40 anos tinha muito para dar certo, mas os sinais contrários avolumam-se a um ritmo preocupante. Mesmo deixando de lado a questão – crucial – do desenvolvimento harmónico e equilibrado de todas as ilhas (que até já deixou de ser um ideal que se busca e foi trocado por um cada vez mais acentuado e pernicioso centralismo, que, a manter-se, reduzirá a estilhaços esta Autonomia!), os indicadores globais sobre o desempenho dos Açores nos contextos nacional e internacional são cada vez mais preocupantes, comprovando que está a fazer-se tarde para arrepiar caminho e procurar novas políticas. Da educação à economia, passando pelos setores sociais, a regra é a comparação ser-nos altamente desfavorável, às vezes mesmo humilhante.
2. Os índices de competitividade recentemente divulgados pela Comissão Europeia colocam os Açores na pior região de Portugal e numa das piores da Europa.
As próprias taxas de desemprego, que têm vindo a baixar nos Açores, escondem sinais alarmantes a que ninguém está a ligar.
Atentemos nalguns: em 2013, tínhamos nos Açores 99.764 empregados, dos quais 33.700 eram funcionários públicos (34%). Em 2016, passámos a ter 107.931 empregados, dos quais 38.000 são funcionários públicos (35%); isto é: em 3 anos os Açores geraram 8.167 novos empregados, mas destes 4.300 (53%) eram funcionários públicos.
Conclusão: a economia privada nos Açores está de tal forma anémica que é o setor público (por natureza, um setor que não produz riqueza) a liderar a contratação de novos empregados.
Altamente sintomático…
3. Outro número assustador é o dos “ocupados”, isto é, daqueles que integram os vários programas ocupacionais. Em 2013 nos Açores havia 5.083; em 2016 o seu número aumentou para 7.105, um crescimento de 2.020 “ocupados” em três anos. Em 2016, o peso destes programas nos Açores atingiu os 74%, enquanto em Portugal era de 24% e na Madeira era de 12%.
Revelador!
4. Mais um número cheio de significado: em 2016 (um ano eleitoral!) por centro de emprego a evolução do peso dos programas ocupacionais foi a seguinte: Ponta Delgada (Janeiro, 52%, Junho, 58% e Dezembro, 71%); Angra do Heroísmo (34%, 51% e 71% respetivamente); Horta (48% em Janeiro, 82% em Junho e 108% em Dezembro). Isto é: no final de 2016, o número de ocupacionais inscritos já supera o número de desempregados. “Um autêntico fenómeno!” como o classificou – e bem! – Osvaldo Cabral, quando, no Diário dos Açores, analisou estas estatísticas.
5. Estes números mostram à sociedade que a situação dos “ocupados” está a cristalizar-se e aquilo que devia ser algo de transitório, afinal, perdura e persiste, “escondendo” o desemprego, como o caso do Faial mostra claramente.
Já se percebeu que enquanto houver dinheiro da Europa para financiar estes programas ocupacionais é por aí que o Governo vai continuar.
Se a economia definha na maioria das ilhas. Se as pessoas desesperam sem emprego. Se a precariedade se acentua. Se se privam as escolas de formar convenientemente os seus alunos. Nada disso importa.
O que parece ser determinante é esta pequena vitória de Pirro de acenar com uma equívoca diminuição do desemprego, à custa do sacrifício de gerações e do seu futuro.













