A.T.I.T.U.D.E.

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“O Faial precisa de uma nova atitude!”
Escrevi esta frase há mais de um ano, neste espaço, e desde então, pouco mudou na qualidade da ação governativa local e regional.
Mudou a postura pública, montando-se encenações de anúncios com muitas fotografias e uma ou outra teatralização de reivindicação junto do Governo Regional, com telefonemas milagrosos a mudar a operação da SATA, com discursos a “exigir” o que afinal já estava decidido e até com os projetos em exposição para mostrar nessa mesma cerimónia (!), mas em concreto quanto ao desenvolvimento do Faial e à criação de emprego e oportunidades nesta ilha, pouco ou nada mudou.
Recuperemos, de junho de 2017, o que então defendi:
“O desenvolvimento do Faial exige dois pressupostos fundamentais: uma nova atitude na defesa da nossa ilha; e uma estratégia para o futuro.
Uma nova atitude, assente na defesa intransigente desta ilha, é o primeiro passo para que o Faial e os faialenses voltem a conquistar o respeito no seio da região e a ver cumpridas as promessas repetidamente feitas e, também repetidamente, adiadas e arrastadas ao longo dos anos, pela governação regional cada vez mais centralista.”
Poderia ser escrito hoje sem qualquer alteração.
Vem esta reflexão a propósito das recentes intervenções relacionadas com a 2ª Fase da Requalificação da Escola Básica António José de Ávila e com o Reordenamento do Porto da Horta, também neste caso a 2ª Fase, porque no Faial tudo tem que ser feito por fases que se arrastam eternamente, com a nuance de, no caso do porto, já estarmos a falar da 3ª revisão do projeto da 2ª fase.
Relativamente à escola básica, cuja obra já devia estar concluída, em resposta a uma iniciativa parlamentar dos deputados do PSD/Açores eleitos pelo Faial, veio o Governo informar que o investimento só avançará depois de serem retiradas as coberturas com amianto de todas as escolas da região, o que também já deveria estar concluído, de acordo com os próprios anúncios governamentais.
Perante a condenação de mais este adiamento, logo emergiu o Partido Socialista desta ilha, não a criticar a falta de cumprimento do governo, mas a criticar quem, no exercício das funções para que foi eleito, reivindica a concretização de um investimento prometido há vários anos.
Quanto ao Porto da Horta, para além de uma iniciativa parlamentar, o grupo municipal social-democrata apresentou na Assembleia Municipal uma proposta de deliberação que, resumidamente, reiterava as várias deliberações anteriores daquele órgão, reforçava a necessidade de um estudo técnico sobre a movimentação das águas no interior do porto, reiterava a obrigatoriedade da 3ª versão do projeto acrescentar operacionalidade à infraestrutura, e solicitava ao Governo que assumisse este processo como prioritário.
A deliberação foi aprovada por todas as bancadas, com exceção do Partido Socialista, que, cada vez mais isolado, votou contra.
Precisamos mesmo de uma nova atitude.
Defender o Faial não é fingir que o processo da II Fase do Reordenamento do Porto da Horta tem sido desenvolvido corretamente pelo Governo Regional; e também não é, considerar normal que a II Fase da Requalificação da Escola Básica da Horta não tenha ainda avançado, e agora se invoque uma outra justificação para, uma vez mais, atrasar o início da obra.
Atitude não é recomendar à SATA que melhore, quando for possível e sem querer incomodar muito, a vergonhosa qualidade do serviço que tem prestado ao Faial. Neste caso, temos mesmo é que exigir, sem meias palavras, respeito por esta ilha e um serviço em condições!
Não podemos defender o Faial apenas quando dá jeito, quando há eleições ou quando o Dr. Vasco Cordeiro não está a ver. Atitude não é dizer ámen a tudo, independentemente dos graves prejuízos causados ao Faial, à espera da “merecida” recompensa.
A atitude que se impõe é outra. É defender esta ilha com determinação e assertividade, colocando o desenvolvimento e o futuro do Faial acima de outros interesses.

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