Crónicas da Nossa Terra – A nossa Incúria 1 – Porto do Varadouro

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Um porto onde não se  pode varar”.

Assim é o varadouro do Capelo. Com qualquer varagem, por pequena que seja os pobres pescadores tem enorme trabalho e correm risco para poder varar as suas frágeis embarcações. Pois, o Porto encontra-se ainda tal como a natureza o fez, com pasmo dos próprios…cegos!

Tendo excelentes condições para um centro piscatório todo o ano, e mesmo, para um porto seguro de refúgio, para embarcações de pescas, não se pode lá varar com bom tempo “Só de Verão!”.

Apesar de uma simples inspeção poder conduzir à conclusão de ser fácil construir um bom cais e um excelente varadouro: – Uma simples cabrilha, armada sobre a restinga da rocha, alguns cartuchos de dinamite para rebentar umas pedras, os serviços de um mergulhador para auxiliar a limpar o fundo, em alguns dias, uns barris de cimento para endireitar a rocha e a boa  vontade de alguns pedreiros, bem dirigidos, transformaria aquilo que incúria não aprecia, num excelente cais, com a sua escaleira e o seu Varadouro, com proveito local e aumento certo de receitas, ainda que só provenientes dom imposto do pescado.

Ainda falta concluir o ramal, numas centenas de metros, e os proprietários das vinhas tem perdido um “conto de reis”, pela incúria de não se haver ali instalado, como devia um posto agrícola e silvícola. Também com aumento certo de receita. Pois, é simples de ver que, por uns quartilhos de vinho nada se pode cobrar, ao passo que, por uma centena de pipas de vinho, mesmo que fosse, alguma receita se obtinha.

 

100 anos depois  “O Eco” – Horta – Setembro de 1915

 

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