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Delfim Vargas: Um Empresário de sucesso

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Há alguns anos que a economia portuguesa vem atravessando uma crise. Todos os dias há empresas que fecham, mas também há aquelas que, apesar das dificuldades, vão mantendo a porta aberta e até conseguem aumentar o negócio.
Exemplo disso é a empresa Delfim Vargas – Fabrico de Caixilharias, Lda., que se instalou no mercado faialense há 36 anos, propriedade de Delfim e Ilda Garcia, aos quais se juntaram os filhos, Nilda e Roberto Garcia.
Atualmente a empresa, uma das mais antigas da Zona Industrial de Santa Bárbara, na cidade da Horta, emprega 28 funcionários e dedica-se essencialmente à venda de materiais de construção civil e ao fabrico de caixilharia, alumínios e estruturas de metalomecânica. Possui um armazém e loja de vendas na ilha do Pico, vende igualmente mercadorias para a ilha de São Jorge e ambiciona criar um armazém na ilha de São Miguel, dedicado, essencialmente, ao comércio de perfis de alumínio.
O Tribuna das Ilhas falou com Delfim Vargas, que, nos abriu as portas da sua empresa, para falar do seu negócio e de como têm sido estes anos ao serviço da população das ilhas do Triângulo.

 

Tribuna das ilhas – Como surgiu a oportunidade de iniciar a sua atividade de empresário?
Delfim Vargas – Bom esta história começa assim: comecei por trabalhar na antiga SOFACOL, Sociedade Faialense de Construções LDA, da qual o meu irmão Manuel Jorge era um dos sócios, e que se dedicava, entre outras coisas, ao fabrico de caixilharias em PVC. Em 1978, decidi deixar a empresa, mas, trouxe comigo a fabricação das caixilharias em PVC, comecei a trabalhar por conta própria.
Quando abri a empresa e fiz o primeiro edifício foi para o fabrico de caixilharias em PVC. Esta iniciativa valeu-me uma distinção pela inovação, já que, era o único empresário no país nesta atividade. Durante seis anos fui o único fabricante de caixilharias em Portugal de PVC.
Quando comecei esta atividade, predominavam as caixilharias em madeira mais tarde é que derivou para os alumínios, para a linha de lacagem, quando começou a cor no alumínios e para o vidro duplo e agora acabamos de montar uma decapagem e metalização.

TI – Como foi evoluindo o negócio ao longo dos anos?
DV – Cerca de seis anos após ter iniciado o negócio, o interesse pelos alumínios foi aumentando, foi então, decidi expandir o meu negócio. Apresentei um projeto ao Instituto de Privatização dos Açores (IPA) e comecei a obra com dinheiro do Banco Comercial do Açores, com juros a cerca de 30%. Entretanto, há um processo que corre mal e o IPA acaba por se extinguir e nós acabámos por ficar sem o apoio e sem o dinheiro. Isso deixou-nos praticamente na ruína. Apesar dos percalços consegui dar a volta por cima e manter o negócio.

TI – Quais são as principais áreas de negócio que a empresa Delfim Vargas – Fabrico de Caixilharias, Lda., coloca atualmente ao serviço dos faialenses?
DV- Atualmente a empresa está dividida em duas áreas principais de negócio: o setor comercial, com a venda de materiais de construção civil, e o sector industrial, dedicado ao fabrico de caixilharias em alumínio, soldaduras e fabricações em alumínios, estruturas de metalomecânica e a parte de ferro.
Somos, também, os nossos próprios transitários. Temos um armazém em Lisboa, onde recebemos toda a mercadoria que vem para a empresa, que emprega dois funcionários que carregam os contentores e os entregam no navio.
Recentemente, a empresa construiu um armazém de cargas e descargas, que se destina essencialmente à recepção de mercadorias e cargas pesadas. O espaço está equipado com uma ponte rolante de 5 toneladas em que o camião entra e descarrega as mercadorias.

TI- Qual é abrangência do negócio. Esta está apenas no mercado faialense ou expande-se também a outras ilhas?
DV- A empresa tem vindo a expandir o seu negócio. Vendemos mercadorias para a ilha de São Jorge, temos um armazém e loja de vendas na ilha do Pico, na área dos perfis de alumínio e pretendemos expandir estaárea de negócio para a ilha de São Miguel.
No entanto, a política de transportes é tão má que não conseguíamos levar a mercadoria. Neste momento os contentores para São Miguel podem ficar cá um mês à espera de serem preenchidos. Todavia, tenho esperança de que as coisas mudem para melhor.

TI – Em termos de investimentos a Delfim Vargas – Fabrico de Caixilharias, Lda., tem avançado por conta própria ou tem contado com alguns apoios?
DV – Quando o país começou a entrar em crise, a empresa praticamente não tinha dívidas à banca e tinha os fornecedores em dia. Tínhamos uma boa existência, o que foi muito bom para conseguirmos enfrentar a crise. Isto permitiu-nos recorrer ao apoio do Governo Regional para realizar vários investimentos que ajudaram a fortalecer a nossa posição no mercado local.
O Executivo açoriano, tem sido um parceiro fundamental no desenvolvimento do negócio. Recentemente recebemos um apoio de 97 mil euros que possibilitou o investimento do novo armazém.
Tenho apresentado várias candidaturas a apoios que permitiram fazer vários investimentos. No Pico adquirimos uma viatura e um empilhador novos e metemos uma cobertura nova no armazém. No Faial também colocámos um teto, adquirimos quinadeira, guilhotina, calandra e várias outras máquinas. Não é só concorrer ao subsídio do Governo; é necessário ter a outra parte. Se o Governo dá 40% é preciso ter os outros 60%.
Por outro lado, o pagamento atempado por parte da autarquiaaos fornecedores, tem ajudado ao negócio. A Câmara Municipal da Horta tem pago às empresas a 30 e poucos dias, há anos que isso não acontecia no nosso concelho. Um presidente da Câmara pode gerar riqueza ou pobreza no concelho e isso é muito importante.

TI – O mercado nesta área é muito competitivo, o que é preciso para se manter atualizado, e acompanhar as tendências?
DV – O conhecimento do mercado é fundamental. Nós, normalmente vamos às feiras de Madrid e de Portugal. É muito importante ir às feiras se quisermos estar documentados nos materiais de construção civil. Este setor evolui à hora e é preciso estar atento. Há muitas coisas nos Açores que são introduzidas por nós.
Por exemplo o perfil do revestimento utilizado no armazém novo é uma ideia nossa; foi desenvolvido por nós. O perfil só existe em Portugal, a fábrica tem aquela matriz em nosso nome e fabrica exclusivamente para mim porque o desenho é nosso e do Arquiteto Rui Serpa.

TI- Qual o segredo para o sucesso do negócio ao longo destes 36 anos?
DV – O segredo para o sucesso do seu negócio passa por uma gestão cuidadosa. Durante muitos anos tive a ajuda do meu irmão, ele era o meu braço direito. O Manuel Jorge, que faleceu há 10 meses, era o computador da empresa. Hoje, conto com a ajuda dos meus filhos, em quem deposito a garantia de continuidade do negócio. Eu precisei da empresa para a minha família e acho que os meus filhos vão precisar da empresa para os filhos deles. Penso que eles vão seguir com a empresa.
As pessoas do Faial conhecem esta empresa, penso que temos um bom nome, precisamos de mantê-lo e fazer com que as pessoas acreditem que somos uma empresa séria. Não damos nada a ninguém porque a empresa tem de sobreviver, mas não deixamos os clientes insatisfeitos.
A máxima o cliente tem sempre razão é muito importante. Sempre que temos um problema vamos a casa das pessoas e reparamos as coisas, nunca fugimos às nossas responsabilidades, nunca deixamos um cliente sem uma solução. O cliente chega aqui e tem de ser atendido.

TI – Olhando para a ilha do Faial, que obras considera vitais para o seu progresso?
DV – No Faial fazem faltam duas infra estruturas boas para a ilha se desenvolver: o Aeroporto é importante para receber outro tipo de aeronaves; e o resto da Variante também, para tirar o trânsito da cidade. É muito complicado termos de atravessar a cidade para irmos para determinada zona. É um bocadinho de estrada e isso era importante. g

 

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