Grémio Literário Artista Faialense comemora 135 anos

0
23

O Grémio Literário Artista Faialense comemorou no dia 1 de Janeiro o seu 135 aniversário. 

Presidido por Ruben Oliveira, esta instituição comemorou os seus 135 anos com uma cerimónia marcada pela “simplicidade e humildade”, conforme referiu o presidente na ocasião.

Ruben Oliveira, que já está no seu segundo mandato, disse aos presentes que “é importante que os sócios não se esqueçam da história desta casa que, em tempos, foi “mãe” de muitas crianças e jovens. Hoje em dia o seu papel não é tão preponderante, mas não deixa de ser igualmente importante”. 

Fazendo alusão às dificuldades financeiras que atravessa, Ruben Oliveira disse ainda que é preciso que os sócios se mobilizem “no sentido de formar uma nova direcção, e para que não deixar morrer esta instituição”. 

Também o presidente da Junta de Freguesia da Matriz, Laurénio Tavares, destacou o papel que esta instituição tem tido no contexto da freguesia a que preside.

João Castro, presidente da Câmara Municipal da Horta disse aos presentes que este aniversário é a prova de que “os anos e as pessoas passam mas as instituições ficam”. 

No entender do presidente da autarquia “instituições como o Grémio não vivem daquilo que dão às pessoas mas daquilo que as pessoas dão às instituições”. 

Reza a história que o Grémio surgiu no panorama local a 1 de Janeiro de 1878 através de pessoas que pretendiam valorizar as suas profissões e instruir-se. Após a sua fundação promoveu aulas de instrução primária, secundária e de línguas, bem como escolas-oficinais para os filhos dos associados em varias áreas, como carpintaria, ourivesaria, entre outras.

Em 1881 acabaram por fechar, consequência do corte do subsídio da Junta Geral do Distrito.

A biblioteca do Grémio Artista, constituída por 3000 volumes cedidos por João Francisco Rebelo, foi durante muito tempo a melhor biblioteca da ilha.

Na sua primeira sede, na rua Serpa Pinto, era hábito os sócios se reunirem para ouvir na rádio os relatos de futebol. Nesta sede havia um jardim de Inverno, uma sala de jogos e uma sala de baile, conhecida pelos seus serões dançantes com orquestra privativa. Os saraus literários e musicais eram também uma referência desta agremiação.

Mais tarde a sede foi transferida para o Largo do Bispo D. Alexandre. A partir de então, o Grémio foi descaindo, em parte devido a ter caído no esquecimento das autoridades culturais.

De acordo com os historiadores, “corria o mês de Maio do ano de 1877, quando em Lisboa, o faialense João Francisco Rebelo, radicado na capital depois de ter vivido e enriquecido no Brasil, contactou com o Padre Francisco Inácio Cristo para que este, no Faial, desenvolvesse esforços no sentido da criação de um Grémio. Era desejo de João Francisco Rebelo ofertar aos seus conterrâneos uma biblioteca composta por cerca de 4 mil volumes, aonde os seus irmãos na arte fossem procurar e adquirir instrução, que tanto distingue as nações civilizadas. 

O Padre Francisco Inácio reuniu com 26 personalidades faialenses – oficiais de diferentes artes e ofícios. No dia 1 de Janeiro de 1878 coincidindo com a instalação do Grémio numa das salas da casa n.º 5 da Travessa da Misericórdia. 

Os estatutos desta casa visavam “espalhar e derramar a instrução de que tanto carece a nossa população, abrindo, para o efeito, aulas e palestras nocturnas; celebrar palestras e serões literários; estabelecer um gabinete de leitura para os sócios; estabelecer cursos nocturnos dirigidos por professores competentemente habilitados; premiar estudantes que pela sua frequência e aproveitamento se tiverem distinguido”. 

Apesar do carácter e do notável alcance destas medidas, a verdade é que tiveram pouca duração no tempo acabando por desaparecer à míngua dos apoios oficiais inicialmente atribuídos mas depois retirados. Mesmo assim, a persistência dos seus associados manteve até hoje viva a intervenção do Grémio, particularmente através dos espaços de cultura e recreio que foi capaz de proporcionar aos seus associados e à comunidade local.