Meio porto

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É inegável a mais valia que trazem os navios cruzeiro que visitam o Faial. Dá gosto ver a cidade-mar situada numa das baías mais belas do mundo, apinhada de turistas, esplanadas cheias e o comércio a funcionar. Parece que por momentos vivemos num sítio diferente. Daqueles que crescem e se desenvolvem. Que aproveitam as sinergias do turismo e da natureza para criar mais riqueza.

É evidente que estas gentes que por aqui passam representam um extra na economia da ilha e muitos comerciantes agradecem. Ninguém duvida que esta zona do arquipélago constituída pelas chamadas “ilhas do triângulo” tem um potencial enorme, capaz de oferecer produtos turísticos vários, justificando plenamente a promoção das escalas destes navios no nosso porto.

Por este motivo, seria de esperar que tivéssemos as infra-estruturas necessárias para acomodar esta procura que, ano após ano, vai crescendo. Mas não é verdade. Cais existe e até é recente, pena é não servir para todos os navios de cruzeiro.

Deixa um sabor amargo ver que os navios de maior porte, têm de ficar no porto exterior, ou mesmo no canal, onde as condições de mar condicionam muitas vezes a operação, como recentemente aconteceu, acabando por cancelar ou abandonar a escala, com graves consequências daí resultantes, para a economia local.

Parece que afinal não estamos assim tão preparados para aproveitar as mais-valias do turismo. Somos a ilha do meio Porto e do meio aeroporto. Do que podíamos ser e não somos. A ilha que todos os dias continua a perder mais do que aquilo que ganha. Refém de uma mudez política esvaziada de poder e coragem.

Na altura alegrou-me a ideia de ter um porto novo. Hoje há quem considere que talvez teria sido melhor esperar e fazer bem à primeira. Que tivéssemos sido contemplados com um porto com capacidade para receber até os maiores cruzeiros. Mas na altura era este ou nenhum.

Compreendo a revindicação de uma pista maior para um aeroporto que foi construído em 1971. Ter que reivindicar por um porto maior que ainda nem 3 anos tem é, no mínimo, caricato.

Não era suposto ter um cais para cruzeiros coartado nas suas capacidades. Aspiro ainda ao seu desenvolvimento pleno, banindo os constrangimentos que desde início lhe foram criados. Importa saber por onde andam as prometidas obras referentes às fases de intervenção no porto, e já agora, se alguma vai criar condições para acostagem dos navios de maior porte. Dos iguais a muitos daqueles que operam sem qualquer condicionamento, noutra ilha da região.

Estamos a perder oportunidades de capitalizar aquilo que esta terra e suas gentes têm de bom. Mas no fim de contas, parece-me que esta caravana já passou.

            

                                                                                                                           

 

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