O Secretário Regional da Agricultura e Florestas afirmou hoje, na ilha Terceira, que a melhor valorização dos produtos lácteos dos Açores é o grande desafio da próxima década para o setor leiteiro, considerando que todos os agentes devem trabalhar em sintonia para alcançar esse objetivo.
“Da parte do Governo dos Açores, continuamos empenhados em ajudar um setor estratégico para a Região e vamos continuar a desenhar medidas que possam contribuir para alcançarmos uma maior valorização dos produtos lácteos e, por essa via, garantir a sustentabilidade do setor”, referiu João Ponte, na sessão de abertura de uma conferência integrada na segunda edição do ‘Azorean Cheese Fest’, organizado pela Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo.
Para o governante importa, por exemplo, prosseguir uma aposta clara nos regimes de qualidade da União Europeia, através certificação de mais queijo dos Açores como Indicação Geográfica Protegida (IGP) e Denominação de Origem Protegida (DOP), para conseguir entrar em nichos de mercado ‘premium’ e garantir uma maior valorização.
Relativamente à notoriedade das produções, uma fragilidade já identificada pelo Governo Regional, também há trabalho em curso, como seja a campanha que a Associação Agrícola de São Miguel, integrada no Centro Açoriano de Leite e Lacticínios (CALL), está a fazer do queijo dos Açores no Canadá ou a campanha que o Executivo vai lançar, ainda este ano, no mercado continental para reforçar junto dos consumidores o conhecimento sobre marcas e produtos lácteos da Região.
Por outro lado, João Ponte reafirmou que será aberto um aviso, no âmbito do PRORURAL+, para que as indústrias de queijo reforcem a sua capacidade de frio e câmaras de cura, uma lacuna identificada no Plano Estratégico dos Lacticínios dos Açores, promovido pelo Governo dos Açores e que aponta um conjunto de caminhos para ajudar o setor a criar mais valor.
O Secretário Regional considerou que o percurso feito pelo setor agrícola, particularmente o leiteiro, tem sido positivo, destacando o facto de, em 2019, ter aumentado 10% a produção de queijo nos Açores e diminuído a produção de leite UHT.
“Os Açores são a região do país mais importante em termos de produção de lacticínios, já que produzimos 35% do leite e cerca de 50% do queijo”, frisou João Ponte, acrescentando que Portugal ainda importa anualmente 60 mil toneladas de queijo, o que constitui uma oportunidade que os Açores devem aproveitar para aumentar a sua quota de penetração no mercado continental.
João Ponte salientou que as produções do setor do leite e lacticínios nos Açores têm todas as condições para serem mais valorizados pelo conjunto de valores estratégicos que têm na sua base, como seja, a preservação da natureza, do ambiente, a singularidade do modo de produção, assente na pastagem das vacas ao ar livre, e toda a aposta feita na qualidade do leite, algo que importa transmitir de forma cada vez mais assertiva aos consumidores.
Relativamente ao ‘Azorean Cheese Fest’, João Ponte salientou que se trata de mais uma boa oportunidade para dar notoriedade à produção de excelência dos queijos dos Açores, contribuir para os promover na Região e refletir sobre os desafios que se colocam à produção, à transformação e à comercialização.

















