Há sinais que não enganam. Quando começamos a habituar-nos ao lixo acumulado em determinados locais, às bermas por limpar, aos contentores a transbordar ou às estradas degradadas, significa que algo está a falhar na forma como cuidamos da nossa ilha.
O Faial sempre foi reconhecido pela sua beleza natural, pela qualidade da paisagem e pelo cuidado dos seus espaços públicos. Quem nasceu nesta ilha sabe bem o orgulho que sentia ao percorrer as nossas estradas, visitar os miradouros ou receber familiares e amigos vindos do exterior. A imagem que transmitíamos era a de uma ilha organizada, limpa e bem cuidada.
Hoje, infelizmente, essa imagem começa a apresentar demasiadas fissuras.
Nos últimos anos, têm-se multiplicado os sinais de desleixo em vários pontos da ilha. Não é difícil encontrar lixo abandonado junto a caminhos agrícolas, em zonas florestais, em áreas costeiras ou mesmo nas proximidades de locais de interesse turístico. Trata-se de uma realidade que não pode ser ignorada nem relativizada.
É evidente que existe uma responsabilidade individual de quem deposita resíduos onde não deve. Mas é igualmente evidente que as entidades públicas têm falhado na prevenção, na fiscalização e na capacidade de resposta. Quando um problema persiste durante semanas ou meses sem solução, deixa de ser apenas um problema de civismo para passar a ser também um problema de gestão pública.
A Câmara Municipal da Horta não pode continuar a limitar-se a reagir aos problemas quando estes se tornam demasiado visíveis. A manutenção dos espaços públicos exige planeamento, acompanhamento permanente e capacidade de intervenção. O que muitos faialenses observam diariamente é precisamente o contrário: uma atuação demasiada vezes tardia, insuficiente e sem resultados duradouros.
Mas também o Governo Regional não pode fugir às suas responsabilidades. Grande parte da rede viária, das zonas florestais e de diversos espaços públicos da ilha encontram-se sob a sua tutela. Ainda assim, são frequentes as situações de vegetação excessiva nas bermas, sinalização degradada, pavimentos em mau estado e falta de manutenção de áreas que deveriam constituir o cartão de visita do Faial.
Basta percorrer a ilha para perceber que a rede viária já conheceu dias melhores. Existem estradas onde os remendos se sucedem aos remendos, onde a degradação do piso é evidente e onde a manutenção preventiva parece ter sido substituída por intervenções pontuais e avulsas. Esta não é apenas uma questão estética. É uma questão de segurança, de mobilidade e de respeito pelos cidadãos.
Mais preocupante ainda é a aparente normalização desta situação. Como se fosse aceitável que uma ilha que pretende afirmar-se como destino turístico de excelência apresente sinais tão evidentes de abandono em aspetos básicos da gestão do espaço público.
Enquanto assistimos a anúncios, promessas e apresentações de projetos futuros, os problemas do dia a dia vão-se acumulando. Uma berma limpa, uma estrada em condições ou um espaço público bem cuidado dizem muitas vezes mais sobre a qualidade da governação do que qualquer campanha de comunicação.
O Faial merece autarcas e governantes que façam da manutenção e da valorização do espaço público uma prioridade permanente e não uma preocupação ocasional. Porque cuidar da ilha não é apenas uma questão de imagem. É uma questão de respeito por quem cá vive, por quem nos visita e pelo património coletivo que temos a obrigação de preservar.
O Faial continua a ser uma ilha extraordinária. Mas nenhuma terra vive eternamente da sua beleza natural. Sem cuidado, sem manutenção e sem visão, até os maiores ativos acabam por se degradar. E os faialenses não podem conformar-se com isso.














