O Governo não aguentou!

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Os portugueses tiveram de aguentar, atravessando dificuldades extremas, dois anos de politicas erradas de austeridade cega deste governo. Mas o Governo não aguentou! Mais de um terço do Governo foi caindo ao longo do tempo. Do topo do Governo, primeiro Miguel Relvas, depois Vítor Gaspar e logo a seguir Paulo Portas, líder de um dos partidos da Coligação, também abandonaram (como é público, este último entretanto deu o dito e jurado por não dito), juntando à incompetência da governação que aprofundou continuamente a espiral recessiva e o empobrecimento dos portugueses, a irresponsabilidade que todos puderam testemunhar enquanto o Governo caía aos pedaços, protagonizada pelos principais responsáveis do Governo e da coligação governamental.

 A demissão dita “irrevogável” de Portas, cuja permanência no Governo o próprio classificava como “um ato de dissimulação” tratou-se de um episódio sem dignidade, que lhe permitiu voltar para mandar nas finanças, na economia, nas relações com a troika e na Reforma do Estado, poder que o povo nunca lhe conferiu, sendo caso para perguntar o que fica a fazer Passos Coelho.

 Importa neste momento lembrar que já passou mais de metade do mandato do Governo. São mais de dois anos em funções marcados pela austeridade muito para além do que a troika exigia (ao contrário das promessas feitas e do próprio programa eleitoral e de Governo PSD/CDS), pelo aumento das falências e do desemprego pelo aumento da pobreza, pela recessão económica, etc., que levaram a uma onda de contestações e de greves gerais. Em suma, por uma estratégia de empobrecimento (assumida!) que nos conduziu a uma situação financeira, económica, social e finalmente política muitíssimo preocupante.

 O que aconteceu foi muito claro. Os portugueses, “o melhor povo do mundo”, como dizia Gaspar, foram submetidos a sacrifícios extremos sem outra hipótese senão resistir; o Governo, por seu turno, revelou sempre teimosia e incompetência, por não mudar uma estratégia comprovadamente errada aos olhos de todos, que nunca atingiu os resultados anunciados. As primeiras previsões de Vítor Gaspar, em agosto de 2011, diziam que, em 2014, país iria crescer 2,5%, que o desemprego já estaria a recuar para 12,6%, que o défice seria de apenas 1,8% e que a dívida estaria em 105% do PIB e a cair. Mas hoje, as previsões mais otimistas indicam que em 2014 haverá uma quase estagnação de 0,6%(?), o desemprego deverá chegar a 18,5%, o défice estará a baixar mas ainda será de 4%(?), hoje nos 8,8%, a dívida estará a caminho de 124% ou mais, hoje já nos 127%. Depois, de maneira incompreensível, o Governo começou a desfazer-se de forma atabalhoada e a tentar refazer-se de forma pouco digna. Esta coligação não esteve à altura das suas responsabilidades, não estava, nem está mental, política e tecnicamente preparada. Aliás, as acusações de “impreparação” nunca estiveram tão à vista e fizeram tanto sentido como agora.

 Este Governo precipitou o País numa situação gravíssima. Não passa já de um “morto vivo”, como convergem todos os diagnósticos da esquerda à direita, e prolongar a sua e, sobretudo, a nossa agonia, não é solução. Neste contexto, é absolutamente necessário que o Presidente da República cumpra a Constituição e assegure o regular funcionamento das instituições e a dignidade no exercício das funções de Estado. Está na altura de assumir as suas responsabilidades e mostrar, finalmente, distanciamento face a este Governo e deixar de adiar soluções, face à situação dramática do país.

  A situação frágil do país exige sempre muita ponderação, é certo, mas hoje o quadro político que esta coligação governamental construiu constitui um contínuo foco de agravamento da instabilidade. Face a tanta irresponsabilidade e ausência de competência, nenhum argumento justifica já a manutenção deste Governo. Se sempre apelei à urgência de mudarmos de líderes em Portugal e na Europa, chegou a hora de o fazermos em Portugal.

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