Opinando em Tópicos

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Duas CASAS reunidas em São Bento

Recentemente um caso pouco vulgar aconteceu em São Bento: a reunião da Casa da Democracia, como é tida a Assembleia da República, e a Casa da Autonomia como é chamada a Assembleia Regional dos Açores, sobretudo pelos faialenses, por sedeada na Horta, designação aliás usada por parlamentar visitante.

Referendos regionais foi assunto que levou a Lisboa, a Delegação de Deputados açorianos, chefiada pela respectiva Presidente, a faialense Ana Luís.

Tivemos mesmo a grata oportunidade de acompanhar os amenos e educados debates, transmitidos directamente pelo Canal do Parlamento nacional.

Por sinal em democrático ambiente algo raro em São Bento, quer nos plenários quer nas comissões.

 

Do RATO Lisboeta ao CARMO Hortense 

Ainda sobre o original duelo rosa, entre próceres socialistas a disputarem candidatura a 1º.Ministro português, que nos fez recuar anos no tempo, e nos deu tema para este tópico.

Mas comecemos pelo princípio: enquanto Costa escolhia hotel para sede de campanha, Seguro, talvez convicto de seu apelido, preferiu o Palácio do Rato, aproveitando naturalmente o sugestivo palco montado para prévio anúncio do resultado da peleja.

Só que momentos antes da hora aprazada, eis que algo estranho acontece, com a rápida desmontagem de todo o aparato, ficando o vistoso palco, num ápice, reduzido a pequena tribuna e quanto a bandeiras uma apenas terá ficado, se ficou…

E ainda se contavam votos, embora já desnecessários, quando surge Jorge Coelho em sua primeira fala, feita aliás, a conta gotas, sem nada dizer, deixando para depois o anúncio final do que era mais que sabido.

Por sua vez, António Seguro não perdeu tempo para declarar a sua decisão de passar a simples militante base, mas não sentado no Parlamento isso só dias depois disse…

Tudo isto nos fez lembrar um caso passado há umas sete décadas no Quartel do Carmo, na Horta, onde estava sedeada a Bataria de Costa, quando ali prestava serviço com o alferes miliciano durante a última Guerra mundial.

Recorde-se que na altura foram enviadas tropas para os Açores com o fim de garantirem a soberania lusa, face à cedência de bases inglesas na Terceira (aérea nas Lajes); e no Faial (porto da Horta).

Terminada a mobilização, tudo ficou como dantes, pois foram extintos os comandos especiados criados nas três ex-capitais de distrito, com autonomia em caso de ataque aos Açores, voltando-se aos antigos comandos de ilha.

Assim, o capitão da Bataria de Costa, aquartelada no Carmo, ficou a ser também Comandante Militar do Faial, destinando-lhe um salão próprio para recepções.

Eis, porém, que é nomeado para director da Carreira de Tiro o Capitão Joaquim Monteiro, em serviço na Terceira, e como oficial mais antigo passaria a exercer a função de Comandante Militar.

E, como agora no Palácio do Rato, algo semelhante sucedeu no Quartel do Carmo: a placa indicativa de Comando Militar é transferida à pressa do salão para um        quatro como os outros do 1º. andar 

Isto quando o barco em que viajava o Cap. Monteiro se aproximava do redondo da Doca!

 

Ronaldo e mais dez

Com saída de sendeiro no recente campeonato do mundo no Brasil, aí está a Selecção nacional em apuramento para o Europeu, desmentindo os jornalistas e apaixonados da bola que a Equipa das Quinas é Ronaldo e mais dez.

Nem que estes não fossem bons jogadores, embora sem a classe do futebolista madeirense, com bolas de ouro e tido como o melhor do mundo.

Ora quando está em forma e em boa condição física, é mesmo um caso sério, como o foi nesse memorável desafio na Suécia que ficará para a história.

Mesmo assim, nada alcançaria se não estivesse rodeado de outros futebolistas que lhe proporcionam ocasiões para poder brilhar em passes, curtos ou longos, e sobretudo os seus imparáveis remates.

Se bem que para nós a sua grande qualidade estará em nada ligar aos exagerados elogios de jornalistas que chegam ao ponto, para se julgarem alguém, de repetirem vezes sem conta: Ronaldo e mais dez!

 

Saudades da manteiga do lavrador

Não sou uma gastrónomo, com uma excepção, porém, para os lacticínios, sobretudo queijo e manteiga.

Hoje ficamos pela manteiga por ter sabido que deixara de ser produzida na ilha dos queijos.

Todavia, há uma cujo paladar tenho mais ou menos presente, isto é, a “Ilha AzuI”, nanja por fabricada na minha Ilha. Com a “Milhafre” da Terceira, são as que mais consumo.

Também ainda não me esqueci da florentina que era muito apreciada na Horta e que terá dado lugar ao queijo nas Flores.

Se bem que uma houve de que jamais me esquecerei de seu original sabor: era a do “lavrador” vendida à socapa na Horta na década 30 do século passado, de produção caseira e a cuja venda à porta, as autoridades fechavam os olhos.

Um caso elucidativo a que assisti: uma rural a bater à porta do Comandante da Polícia, perguntando se queriam manteiga do lavrador.

E com a resposta de um não lá se foi, talvez estranhando o fraco gosto …

 

O autor não escreve de acordo com o novo acordo ortográfico 

 

 

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