Opinando em Tópicos

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Lembram-se do Semilhas?

De amigo micaelense recebi um recorte do “Portuguese Times”, de New Bedford, de 14 de Maio, sob o título em epígrafe que li com natural interesse, já que se trata de famoso futebolista do meu tempo e que defrontei no campo da Doca em jogos entre os velhos rivais: Atlético e Fayal Sport.

Por algo longo, vou-me referir particularmente a duas dúvidas do imigrante Fernando Martins, radicado na Cidade da Balela.

Uma: “Em 2010, a Associação de Futebol da Horta instituiu a Taça Joaquim Teixeira mas a prova não consta do Calendário da Associação para 2014”.

Outra:”…o Angústias Atlético Clube (que representou) prestou alguma homenagem a Joaquim Teixeira, o popular Semilhas, o primeiro açoriano que jogou pela Selecção Portuguesa de Futebol, muito antes de Pauleta e Mário Lima…”.

Quanto à primeira, agradou-me saber da feliz iniciativa da Associação que parece ainda não concretizada.

Relativamente à segunda, embora não saiba se foi alvo de alguma homenagem especial, poderei avançar com algumas factos que foram referências elogiosas ao Joaquim Semilhas.

E começo pelo livro “Subsídios para a sua história (Atlético)” da autoria do ilustrado faialense Dr. Carlos Lobão em que constam muitos escritos assinados e referências ao saudoso Semilhas, e fotos em equipas do Atlético, vencedora em 1938/39 do Torneio de Classificação dos Açores, e do Benfica, campeã nacional em 1941/42, ou com os avançados benfiquistas Brito, Espírito Santo, Rodrigues, Valadas e Rogério Pipi; e ainda uma com o grande Francisco Ferreira, ambos com a camisola da Selecção das Quinas que defrontou a Suiça.

Entre os artigos atrás citados constava: “Dois Semilhas nos campos da Doca” que publiquei no “Correio da Horta”, dedicado aos irmãos Joaquim e Manuel, este mais velho e que foi também inesquecível jogador do Atlético, e do Sporting em fim de carreira.

E a disputa da Taça Joaquim Teixeira será merecida homenagem ao internacional Semilhas, um dos melhores futebolistas faialenses de todos os tempos, ou, como se diz; a cereja em cima do bolo.

 

Desdobrável Triangular

Por sinal foi o interessante escrito do Dr. Victor Dores, intitulado: São Jorge a ilha escarpada, neste semanário publicado que me faz sugerir a oportunidade para edição de um Desdobrável Triangular, de divulgação das ilhas do Faial, Pico e Jorge.

É que são mais que evidentes as capacidades turísticas das ditas, se as suas gentes souberem aproveitar as dádivas de Deus, bem à vista na riqueza do mar e dos campos, e também nas belezas naturais.

Aliás, uma sugestão que endosso ao novo Presidente da Associação dos seis concelhos, caso seja aceite, acrescentando que me parece ser o graciosense Dr. Victor Dores, há muitos anos vivendo no Faial, pessoa indicada para tal missão, já que conhece as três ilhas nas diversas vertentes.

O “20” e um episódio familiar

Em recente deslocação a São Miguel, que nem já estava em meus planos de nonagenário sair da Terceira, aconteceu almoçar em meia tarde com sobrinhos no “Cais 20”, típico restaurante à “beira mar em São Roque, com vista para poente da “baía de Ponta Delgada.

Como original ainda o facto de estar aberto o dia inteiro, coisa rara nas nossas ilhas, oferecendo como principal prato, peixe fresco e variada ementa quiçá a justificar grande afluência.

Quanto ao nome, também pouco vulgar e com história ligada à juventude, fez-me projectar no tempo e no espaço terrestre, ou melhor dizendo aos anos de 1970/80 e ao Faial, mais precisamente ao “20”, à entrada para Porto-Pim, onde se situava o estabelecimento do senhor Francisco Medeiros, assaz conhecido da Conceição às Angústias, pois de tudo vendia, desde mercearias a roupas, não faltando café e laranjadas e aguardente do Pico.

Mesmo em dias de feriados ninguém ficava sem ser atendido.

Eis-me chegado finalmente ao anunciado episódio familiar, que não resisto contar em duas linhas.

Ao tempo, a Mariazinha Pacheco nossa amiga (da Maria João e minha) vivia com o pai, antigo faroleiro no Capelo, também viúvo e que não gostava de ficar sozinho em casa.

Certa manhã houve que se demorou um pouco mais do habitual, desculpando-se por ter ido apenas ao “20” que nem era longe, ao que o senhor Pacheco logo recalcitrou: pela demora até parece que foste ao “40”…

 

* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico

 

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