OUTLET ou Let out?

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No passado fim de semana, realizou-se a Feira Outlet, na tenda que estava montada na Marina da Horta, desde a passada Semana do Mar.

Assim, e para quem quis expor, e para quem quis comprar, conciliou-se a oportunidade de escoar / fazer sair produto de outras colecções, a bom preço.

Outlet significa fazer sair, escoar, dar vazão a produto ainda com boas performances de moda ou utilização, a preços muito reduzidos, pouco acima ou mesmo abaixo do preço de custo…

Qual o objectivo dos comerciantes? Diminuírem os seus stocks, rodarem produto, libertarem dinheiro para as novas colecções, para além de se mostrarem, de divulgarem a sua loja, o seu produto, e aproximarem-se mais dos clientes.

Qual o objectivo dos clientes? Comprarem algum artigo que, na loja, a preço normal não conseguiriam comprar, para além de descobrirem alguma “pechincha” que lhes faça bem ao ego.

A Feira Outlet poderia ter corrido melhor para todos, se tivesse havido mais empenho e disponibilidade de todos os intervenientes.

Parece-me que muito continua por fazer, falta fazer muito trabalho de casa, a vários níveis, e da parte de todos, para que possamos ter uma Feira Outlet que consiga, por exemplo, aproximar-se do Pico Outlet, que já se realiza nos próximos dias 23, 24 e 25 de Setembro.

Aproveito a oportunidade para convidar os faialenses, promotores, parceiros, comerciantes e consumidores a visitarem a Madalena do Pico, e a descobrirem as grandes diferenças.

LET OUT

No Faial, todos, sem excepção, estão mais numa de “Let out”, do que propriamente, empenhados numa verdadeira e grandiosa Outlet.

O que acontece é consequência directa dos nossos actos, e não a soma dos actos alheios, pelo que, se todos nós não dermos o máximo, o resultado ficará sempre aquém das expectativas.

CCIH – A Câmara do Comercio e Indústria da Horta promove a Feira, quase por obrigação e por pressão de alguns empresários, e não por uma grande vontade própria. É verdade que tem correspondido, a conta gotas ao solicitado, mas não lidera o processo, vai a reboque de outras vontades… A promoção e divulgação do evento é escassa, e sempre em cima da hora.

Também é verdade que animou o evento, a pedido, com Folclore e Filarmónicas… O curioso é que no Pico esta opção acarreta inúmeros visitantes e familiares, mas no Faial não funciona…

Porquê? Talvez um profundo estudo sociológico chegasse a surpreendentes conclusões!

ACIP – A Associação de Comerciantes da Ilha do Pico que promove o Pico Outlet dinamiza mais o evento (apenasuma edição em Setembro), cria união e ambiente com os empresários, promove o evento em toda a ilha, anima-o com as mesmas Filarmónicas, e a célebre “tasca” fideliza o pessoal, à volta da linguiça, da morcela e do inhame…

Curiosamente, termina sempre o evento com um jantar entre todos os participantes, semeando simpatias e motivações, que colherá no ano seguinte.

COMERCIANTES dos mais variados ramos podem participar e participam nestes eventos…, o que, se por uma lado diversifica a oferta, por outro lado trás dificuldades acrescidas na compatibilização de datas, já que os diversos ramos têm épocas altas e baixas, inícios e fins de colecção completamente diferentes.

Por outro lado, as férias do pessoal, as dificuldades de horários alargados, em que os trabalhadores não têm lugar onde deixar os filhos (todas as creches fecham às 18H00?!), ou têm a vaquinha para ordenhar…, não facilitam uma cultura de empenho, motivação e modernidade que o consumidor cada vez mais exige e compara.

Existem traumas do passado, de posturas incorrectas? Existem.

Mas os abusos do passado não poderão impedir acções mais modernizadas, mais pró-activas, mais simpáticas e transparentes para com os novos clientes.

A participação numa Feira é uma festa, e nunca uma obrigação, é uma oportunidade e não um trabalho, é uma promoção e não um sacrifício.

CONSUMIDORES

Os clientes são cada vez mais exigentes, mas também cada vez mais incumpridores, quer em termos financeiros, quer em termos de fidelização, pois o que ontem era bom e barato, hoje já não presta e é caro…

Por outro lado, não se pode exigir aos comerciantes que tudo tenham e tudo ofereçam, quando, na primeira oportunidade, se compra lá fora, mesmo que o preço seja o mesmo, ou até mais caro, só por repisa… E até há quem se dê ao incómodo de entrar em lojas nas quais nunca entraram, só para dizer ao velho comerciante que… agora é que vais sofrer!

Francamente, que cultura esta!

Para os Picoenses, o que é feito no Pico, é que é bom! Defendem a sua terra, a preferência pelas suas lojas, pelos seus produtos, com unhas e dentes, até à exaustão, pois sabem que a sua riqueza, os seus postos de trabalho dependem dessa consciência.

Para os Faialenses, o que é de fora é que é bom, seja chinês ou seja “trapalhês”, pois cá, na ilha, nada presta, e são todos uma camada de ladrões.

Há excepções? Existem, felizmente!

Mas nesta matéria, os Faialenses terão de crescer mais um bocadinho, e aprender a internacionalizar-se mais, senão não voltaremos a ter nenhum novo ciclo económico do qual nos possamos orgulhar.

Viver da glória do passado é bom, mas não basta!

O presente é demasiado importante, para que o possamos deitar fora.

Aproveitemo-lo, enquanto é tempo!

CMH / CMH

As Câmara Municipais têm um papel fundamental na dinamização do Comércio Tradicional e dos Centros Históricos, onde o mesmo se insere.

Pico e Faial são duas ilhas irmãs, infelizmente muitas vezes de costas voltadas, em vez de tirarem partido desta vizinhança, desta fronteira que nos une, numa ponte marítima, que, este ano, deu passos significativos para que possamos estar mais perto.

O que vemos de diferente nestas duas Câmaras Municipais?

Na Madalena todas as ruas do centro foram requalificadas, com novos pisos, com novas facilidades, desde a recolha dos resíduos ao estacionamento e iluminação. Quando se pretende abrir uma nova porta comercial, facilita-se o licenciamento, e muitas vezes a obra anda à frente da burocracia, desde que se cumpra a lei e a regulamentação em vigor, por forma a acelerar e a acarinhar a motivação do empresário.

Na Horta, consegue-se gerir a obra do Saneamento Básico há 22 anos, sem se levantar uma única pedra que seja… É caso para dizer que é “obra” bem miudinha…

Se não há Saneamento, então que se façam pequenas intervenções que melhorem o Centro Histórico, que se alinde a via pública, que se criem esplanadas, áreas de estar convidativas, pequenas bolsas de estacionamento, que permitam que os faialenses se sintam atraídos e gostem do seu Centro Histórico, das suas lojas, do atendimento personalizado com os seus lojistas.

Quanto a burocracia, aí nem se precisa dizer o calvário que é para um comerciante abrir uma simples porta…o desespero é tal, que o mais corrente é a oportunidade do negócio passar de moda, a inovação da ideia esvair-se por entre os dedos… Esta Câmara não existe para resolver os problemas dos outros, mas sim para se alimentar dos dificuldades alheias.

Não bastam certificações de qualidade e serviços on-line…

Precisam-se resultados na rua, e que toda a gente os possa ver e sentir.

Quando todos assim agirem e pensarem, poderemos ter uma cidade mais viva, freguesias mais atractivas, comerciantes mais dinâmicos e consumidores com mais vontade de comprarem e preferirem aquilo que é nosso!…

 

Contributos, para

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